Posts atrasados: O trem de Venlo para Möchengladbach

Considero os deslocamentos tão importantes quanto as cidades que visito. Sei lá. Viajar é se deslocar, não sei explicar… pra mim, eles são importantes então quero contar.

São detalhes bacanas, como na mudança de trem pra Venlo para o trem que levava pra Möchengladbach, a estação estava LOTADA, literalmente centenas de pessoas na plataforma esperando um trem local (ou seja, ninguém ali tinha lugar marcado), que os levaria da Holanda para a Alemanha há alguns dias do Natal…

Quando o trem chegou foi uma cena digna dos horários de pico no metrô paulistano. Teve empurra-empurra, teve uma correriazinha (e tudo isso com pessoas carregando malas, algumas enormes) e teve corredores LOTADOS por pessoas em pé. Eu consegui sentar, usei minhas manhas dignas do metrô de SP e lindamente sentei com o trem já meio lotado enquanto os gringo tudo panguava.

Pois bem. O trem local estava igual a CPTM, mas era articulado… eram metros e metros e metros e vagões e vagões e vagões de pessoas se deslocando com malas, marmitas, casacos e colegas; entre um país e outro. Ele ficou parado pelo menos 10 minutos na estação, com as portas abertas, permitindo que quem quisesse se aventurar, pudesse.

Eis que então, uma das extremidades do trem começa a rir, GARGALHAR. Minha sessão do trem, não tão longe daquela extremidade não entendia nada e todos se esticavam para olhar ao redor e entender o que estava acontecendo. Conforme os segundos iam passando, as gargalhadas se aproximavam, como uma onda, do meu vagão, naquele trem articulado. Foi quando percebemos que o motivo das risadas estava do lado de fora, onde um casal com suas malas procurava uma porta onde pudesse se espremer dentro do trem. O detalhe? Eles andavam cada um com UM SÃO BERNARDO em coleiras. Era simplesmente risível o fato de que duas pessoas queriam entrar num trem abarrotado com dois cachorros extremamente enormes.

Eu não sei dizer exatamente qual tipo de humor nos arrematou naquele momento, mas era muito absurdo observar de dentro do trem o casal com olhares atentos, percorrendo a extensão do trem e estudando onde encaixariam suas malas e seus cães gigantescos. Conforme eles caminhavam pela plataforma, o riso se espalhava pelo trem e quem já tinha começado a rir, não conseguia parar ao ouvir os outros começando a rir também. Logo, praticamente o trem inteiro estava rindo.

Quando as portas finalmente se fecharam e o trem começou a se mover, o sentido do riso se inverteu, como o trem seguiu na mesma direção que o casal estava andando, conforme o trem se movia, as pessoas viam que o casal não conseguiu entrar no trem. Estavam com cara de pastel parados na plataforma, vendo o trem se afastar. E os dois cachorros lá, sendo enormes e peludos.

Pode parecer besteira, mas numa manhã repleta de trocas de trens, num frio enorme, numa estação lotada, num trem lotado, foi muito gostoso rir ao lado de todos aqueles desconhecidos. E pelo riso fácil deles, deu pra perceber que foi bom pra eles tbm.

A igreja do Brink no por do sol

Um post sobre Baarn

Baarn é um pedacinho de amor em forma de cidade na província de Utrecht. Com cerca de 24 mil habitantes, está localizada a 37 ou 46 minutos de Amsterdam via trem (depende se você vai de sprinter ou vai combinar sprinter + intercity). A cidade também está a 6 minutos de Hilversum, 17 minutos de Amersfoort e 32 minutos de Utrecht. Tudo de trem, tudo pertinho.

A cidade está próxima a outras também ricas e recheadas de au pairs, como Naardem, Bussum, Laren, Blaricum e Huizen… e pela proximidade com Amsterdam, muitos hosts trabalham fora de Baarn, transformando a cidade numa espécie de cidade-dormitório-de-luxo. A cidade, até o início do século XX era um reduto de campo para os afortunados da capital da Holanda do Norte, por isso mesmo possui uma região cheia de Villas, casas enormes cheias de quartos e de até 3 andares, com torres e sacadas. Foi esse pedaço da cidade que pude chamar de meu. Mas ela também é bem urbanizada ao melhor estilo holandês, mesmo que não ostente os famosos canais.

Foi em Baarn que nasceu a ex rainha do Reino dos Países Baixos, Beatrix, e foi na Nieuwe Baarnse School que o atual rei, Willen Alexander, e seus irmãos estudaram antes de se mudarem para Den Haag. Atualmente a ex rainha mora no Palácio de Soestdijk, que fica a 10 minutos de pedalada da estação de trem da cidade. A estação, inclusive possui uma sala de espera real, onde Beatrix e outros membros da família real provavelmente aguardam um possível trem que os levará de lá para outros lugares. Na verdade, nunca vi os membros reais a utilizando e não saberia dizer se eles pegam trens mesmo hahaha. Mas a sala de espera real existe, no último andar do prédio da estação.

Outro morador ilustre da cidade foi o artista plástico M.S. Escher, que morou por lá desde após a segunda guerra mundial, até um pouco antes da sua morte, no começo dos anos 70.

Baarn possui diversos playgrounds, várias escolas de educação infantil, uma praça central com igreja e coreto, alguns supermercados, o principal sendo o Albert Heijn da Eemnesserweg. A cidade também possui uma Hema de bom tamanho e bons cafés no Brink (adoro demais esse nome hahaha), que é a praça central da cidade e também várias lojas conhecidas por toda a Holanda, como a Zeeman, Blokker, Kruidvat, DA, Bruna, etc, etc na Laanstraat. Bancos também tem, Rabobank, ABN Amro e ING para o gosto do cliente. Na cidade você também encontra aves no parque da Bosstraat, “bambis” no parque coladinho com o Meander Medisch Centrum e seguindo pela Eemnesserweg sentido Groeneveld, você encontra um grande campo de pasto com três vacas bem peludas.

No verão, no parque da Bosstraat, é montado um mini restaurante que vende um prato nacional. As famosas poffertjes são nada menos que mini panquecas holandesas, feitas em uma forma de fritar especial e servidas juntinhas e um pouco bagunçadas, com açúcar de confeiteiro ou até mesmo com mel. Já na época do Natal, diversos moradores montam em seus jardins e em suas casas presépios nos mais diferentes estilos e é organizada uma rota para se visitar um a um.

Baarn é também lar da Associação holandesa de Escoteiros, do Groeneveld – uma casa/mansão de campo que virou museu com um enorme jardim com um riacho para caminhadas e pedaladas gostosas, de inúmeros bikepaths para você se perder com sua bicicleta por entre as árvores e de vários asilos. Sério, um amigo holandês me contou que o apelido em holandês da cidade é traduzido como “cemitério verde”, pois é destino de muitos aposentados… e também é muito arborizada.

Andar por Baarn é a certeza de sempre ver, em qualquer estação do ano, omas com seus netinhos pelos parques, cafés cheios de gente e pessoas pra lá e pra cá em suas bicicletas. O que eu nunca vi foram os ônibus das duas linhas que servem a cidade passando. Uma vez eu vi um homem parado num ponto de ônibus e me cocei muito para não parar e aguardar o ônibus com ele, só pra ver o tal do ônibus hahahaha.

Para se divertir, as au pairs costumam tomar café e comer kippnuggets com maionese no De Kerkbrink, um café simpático com preços bons no Brink; comer um sanduíche gostoso e tomar um sorvete no Petershof da Eemnesserweg; mandar uns kebabs doidos e deliciosos no Sultan Dönner da Niewstraat ou no Farao da Laanstraat; e tomar uma cerveja ou um vinho branco doce no Prins Hendrik, o famoso PH (pronuncia-se Pirrá, em holandês) querido e costumeiro de todas as au pairs. (Minha geração batia ponto lá, espero que as seguintes continuem hahaha.)

Baarn é uma cidade onde eu conheci o que qualidade de vida significa. Mesmo pequenininha, com jeitinho de vila, cheiode velhinhos pela rua, sem grandes baladas… Baarn foi a cidade que me fez feliz na Holanda, e quando eu me sentia grande demais para ela, eu estava há um trem de distância de outras cidades… ou há alguns minutos de pedalada de mim mesma.

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Chegando lá

Percebi que tenho bastante história que quero contar e então o melhor a fazer (depois de explicar como descubro o que fazer num destino e como chego nesses “o que fazer” quando já estou no meu destino), é dar dicas úteis de verdade.

Antes de mais nada: para brasileiros entrarem em países da União Européia não é necessário nenhum tipo de visto, desde que o brasileiro comprove que não passará mais de 90 dias por lá e que tem como se manter nesse período. Então antes de embarcar é sempre bom ter os comprovantes de reserva em mãos, alguns euros e os cartões que usará por lá, além de, é claro, um passaporte válido.

Existem dezenas de empresas aéreas que podem te levar até a Europa partindo do Brasil. Isso você já deve saber. O difícil é descobrir qual empresa aérea pode te levar até lá da melhor maneira possível pelo menor preço.

O decolar.com é apenas um dos diversos sites que mostram as opções de voos mais baratos para os mais diversos destinos. Além dele, o submarino viagens é outra boa opção nacional. Entre as gringas o sky scanner cumpre muito bem essa função e agora o site tem uma versão em português do Brasil. O hipmunk é uma alternativa mais engraçada, moderninha e traz as informações de um jeito bem bacana: o site te mostra não só as viagens, mas também quanto de agonia elas irão te trazer. Uma barrinha bonitinha te mostra o tempo de voo, o tempo de solo e você consegue visualizar melhor se vale a pena ou não aquela conexão de 10 horas pra pagar 300 reais mais barato numa passagem.

Ah! E isso também é bem legal de reparar! Algumas vezes, em todos as opções supracitadas, encontramos algumas pechinchas, mas antes de sair clicando em comprar, é legal ver se tem conexão ou escala e quanto tempo elas levam. Porque acontece exatamente o que falei ali em cima: você pode pagar menos, mas já chega no destino de porre e muitas vezes cansado. Eu prefiro procurar sem parar, quase obsessivamente por passagens antes de ir viajar (o que não falei até agora que não pareceu um pouco obsessivo, né? hahaha). Os voos costumam mudar com frequencia, então é bacana anotar em algum lugar os voos interessantes. Eu já pensei em comprar passagem mais barata com uma conexão um pouco mais longa, porque né, economizar é sempre legal, mas ficando sempre de olho nunca precisei comprar tal passagem, porque vira e mexe aparece passagens boas por preços bacanas. O legal então é começar a procurar pela passagem pelo menos uns 3 meses antes da viagem, pra ter uma folga maior pra procurar uma passagem melhor e não ter que sofrer com passagens caras como as passagens ficam quando a data do voo se aproxima.

Sobre as cias aéreas não dá pra inovar muito no discurso. Já cruzei o Atlântico de Air France voando de São Paulo pra Lisboa, com conexão em Paris. O voo daqui para Paris foi super tranquilo, apesar de longo, e eu digo isso como alguém que nunca tinha andado de avião e até então morria de medo! A comida é boa, os comissários eram bem atenciosos e tinha bastante opção de entretenimento a bordo. Ano passado fui de Lufthansa de São Paulo para Berlim, com conexão em Munique e me apaixonei! O avião é bem menor que o da Air France, o atendimento impecável, a comida deliciosa e mil opções de filmes e música bem atualizadas. Tinha os dois cds da Adele bombando, por exemplo.

Quanto à locomoção dentro do continente, os europeus – e nós, os turistas – tem várias opções. Se você quiser manter suas raízes brasileiras por lá, dá pra encontrar centenas de rotas de e para diversos países feitas por onibus e a Eurolines não vai te deixar na mão. Eu nunca andei de Eurolines, mas já fucei o site e dá pra encontrar bastante coisa legal, e conheço também algumas pessoas que usaram e elogiam.

Existe também uma opção bem diferente da que estamos acostumados e garanto: é uma delícia! Viajar de trem é algo que só experimentando dá pra ter noção. Posso estar romanceando demais, mas há algo romântico mesmo em viajar de trem. As amplas janelas, as mesinhas, a paisagem. Tudo vale a pena. Os preços não são tão em conta quanto o onibus, isso é verdade, mas a viagem compensa. Cada país tem sua operadora dos trens, mas a Eurail te oferece uma timetable bem completa de praticamente todos os destinos imagináveis. Nem sempre os preços das passagens são amigáveis, mas eles oferecem também “passes” que te permitem viajar x vezes em um determinado período de tempo, não importando quantos trens você pegou, mas sim a viagem feita. Eu usei o passe que me permitia viajar acho que 10 vezes num período de 3 meses e super recomendo. Os trens são rápidos, eficientes e apesar de uma viagem de trem demorar mais do que uma de avião, por exemplo, as estações normalmente são centrais, ou no mínimo, melhor localizadas que os aeroportos.

Quando viajar de onibus e de trem pode significar perder horas importantes existe sempre a opção de viajar de avião e é agora que a coisa fica boa: existem dezenas (juro) de empresas aéreas que cobram baratinho de um destino a outro. São as chamadas empresas low cost ou low fare. O nome do segmento delas não importa muito, o que é bom ter sempre em mente são os nomes das empresas. A easyjet provavelmente te levará de qualquer lugar para qualquer lugar por um preço bem em conta e o serviço, eu garanto, é bem parecido com o da Gol aqui no Brasil. Ela não é a única e nem sempre é a mais barata, mas é uma das que possuem o maior número de destinos. A wizzair, a ryanair, a transavia e a vueling são só algumas das outras empresas que te transportam de maneira rápida entre cidades do continente europeu, mas mantenha em mente que os preços baixos implicam na provável ausência do lanchinho à bordo, em assentos menores e também em restrições de bagagem. E a easyjet não escapa disso.

Dalí e Van Gogh curtindo o voo.

Organizando-se

Certo, você já sabe o que quer visitar, ver e conhecer quando estiver no seu destino, certo?

Agora é a hora de organizar toda essa informação. Mais: encare isso como um pré-roteiro das suas férias. E para fazer isso você só precisa fazer uma matemática simples: divida o número de atrações pelo número de dias na cidade. Depois disso, eu simplesmente pego o guia, abro o google maps e arranjo algum lugar onde possa tomar nota.

Eu acho que uma boa maneira de otimizar o tempo é separando a cidade por áreas, identificar o que fica perto do que e daí traçar um percurso. Na minha cabeça faz muito mais sentido se deslocar até uma parte da cidade e daí explorá-la do que ficar indo de um lado pro outro completamente errante. Ainda mais porque quando as coisas são perto uma da outra e você se desloca a pé, tem a oportunidade de ver coisas bonitas, curiosas, estranhas e encantadoras no trajeto; enquanto quando as coisas são longe a gente sempre opta pelo metro (quando tem) pra poder percorrer as distancias de maneira rápida e tudo o que vê são tuneis.

Eu uso o google maps sem dó de gastá-lo. Uso principalmente a ferramenta de rotas dele pra ver qual seria o caminho ideal e as estações de metro e pontos de onibus próximos aos pontos turísticos. Tudo isso porque acredito que a solução para qualquer e possível problema é a informação. Se eu tomar cuidado pra saber tudo isso antes, não vou precisa perder muito tempo tentando descobrir durante a viagem como me deslocar pela cidade.

Um exemplo que eu acho que ilustra bem o que eu digo é da primeira vez que estive em Berlim. Não dei a atenção que a cidade merecia e no fim descobri que um caminho que seria feito por uma caminhada por uma avenida linda foi feito através de baldeações de u-bahn. E foram baldeações mesmo: peguei 3 linhas de u-bahn diferentes para sair num lugar que ficava no final da avenida do hotel! Tudo isso porque o mapa da cidade que eu tinha comigo não tinha uma escala boa e o mapa do metro não dizia “filha, vai a pé”.

E isso foi em 2009, não faz muito tempo, mas os apps de celular não eram tão famosos. E mesmo agora que são, eu ainda prefiro me programar antes a ficar parada em pé checando o app no meio da rua.

Outra coisa: sou adepta do caderno de viagem. Mais do que usá-lo como um diário, carrego o livreto para ter sempre comigo informações importantes. Quais são as informações que vão para suas páginas?

– Local pelo qual chegarei na cidade

– Nome e localização de onde estarei hospedada (telefone do lugar fecha o combo)

– Meio de deslocamento estação/aeroporto até o local de hospedagem

– Estações, pontos de onibus e/ou tram e avenidas próximas ao local de hospedagem

Sou daquelas que evita quantos taxis forem possíveis durante uma viagem. Não porque seja um absurdo de caro, porque analisando melhor, não é. Mas se existe a possibilidade de “viajar mais” eu a aproveitarei. É claro que as vezes, dependendo do seu estilo de viagem, não rola pegar um onibus até o centro da cidade e de lá pegar o metro, porque sua mala vai te atrapalhar e você já chega no lugar onde vai ficar cansado. Porém, se você não se cansa fácil ou se está tendo uma viagem mais prática, essa dica é ouro: a maioria dos aeroportos tem algum meio de transporte que te liga diretamente não só ao centro, mas principalmente a ele, das cidades a que servem. E normalmente o preço é bem camarada!

O processo de chegar e sair de uma cidade é basicamente o mesmo processo de descobrir como faz pra ir de onde estarei hospedada para as atrações que quero conhecer. Entrar no site das empresas que cuidam dos meios de transportes também é legal, para ter uma noção melhor de rotas (google maps erra tanto na gringa quanto erra aqui no Brasil) e também uma noção melhor de preços. E o maps sempre mostra qual é a empresa. Isso não é complicado.

Descobrir e entender o lugar que desbravarei com antecedência me poupa tempo in loco e aumenta minha segurança enquanto viajante. É claro que imprevistos acontecerão e você vai precisar mudar algum dos planos que fez com antecedência. Toda viagem precisa de espaço pra isso e você deve respeitá-lo e ter cabeça fria quando acontecer. Mas esse pré roteiro te ajuda a não deixar aquilo que você quer ver pra trás. Ele não garante, mas ajuda. Assim como ter um conhecimento prévio dos transportes que servem a cidade te ajudam a se virar melhor na hora do ir e vir.

Todas as imagens que ilustram o post é da minha segunda vez em Berlim. Dessa vez bem informada!

Contos europeus.

Devido à um novo projeto pessoal resolvi fazer aqui algo que nunca fiz antes: Falar das minhas andanças pelo velho continente.

Paris em janeiro de 2009

Pra não falar que nunca falei disso, em 2008 citei algumas coisas sobre os preparativos do meu primeiro mochilão e quando voltei fiz um texto mais abrangente de como foi a viagem.
Ainda não sei exatamente sobre o que, ou como, vou falar aqui. Talvez adote um tom mais narrativo mesmo, e daí, se julgar algo bacana, dou a dica. Como tenho boas lembranças, e sou um tanto detalhista nessas coisas, pode ser que o resultado seja legal e tudo isso sirva pra alguma coisa, ou melhor, seja de uso para alguém.
Não planejo fazer nenhum guia, porque né, viagem não tem regra, depende muito das pessoas que estão nela. Um achado incrível não vale pra todo mundo e eu só sei das coisas que deram certo pra mim.
Quero contar do brechó digno que fui em Paris, da paella que todo mundo desrecomendou em Barcelona, das muitas mutretas no transporte público de Berlim… tudo isso tá fresquinho ainda aqui na cabeça porque aconteceram apenas há quase um ano. Vou tentar resgatar algumas coisas do mochilão de 2009, como fazer mil roles no mesmo dia, onde precisa de mais tempo, onde dá pra passar batido (mentira, isso é impossível). Retratarei como rodei a Europa de trem e quais foram as vantagens e desvantagens.
Se alguém quiser me ajudar e sugerir aqui, ou no facebook (quero fingir que a página lá tá bacana), algum desses temas que vocês acham que seria interessante.
Vale lembrar que eu sou meio maniaca-da-organização-de-viagens, então não entro num avião sem saber como se sai do aeroporto de destino de transporte público, nem fico sem analisar todo o mapa metroviário – quando existente. Porém não vou contar essas coisas agora, porque não quero estragar um post vindouro. ha-ha.

Berlim em junho de 2011

Lisboa e o primeiro trem

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O plano era simples: Janeiro de 2009, inverno europeu, 1 continente, 7 países, 9 cidades, 21 noites, 23 dias, 2 garotas eventualmente perdidas: eu e a e inicialmente duas mochilas.

Primeira parada: Lisboa. O plano inicial era que passassemos dois dias na capital portuguesa, mas devido a neve em Paris (nossa conexão), o voo de São Paulo atrasou, o que nos fez perder o avião Paris-Lisboa e então ao inves de pegamors o voo das 12:45 e chegar em em Portugal as 14:30, pegamos o voo das 16 e tantas e só saímos do aeroporto de Lisboa, propriamente dito, umas 18 e tralalá. E acreditem, 4 horas perdidas pra quem só tem 24 é bastante coisa.

Com o atraso do voo, perdemos o transfer (ma oe) e já iniciamos nossa aventura pagando taxi em euros. Pegamos também avenidonas bonitas da cidade, o que nos lembrou as avenidas Indianopolis e Brasil e os predios eram bem parecidos com aqueles da região da avenida São Luís. Pegamos transito e ouvimos no radio as noticias sobre futebol. O internacional Cristiano Ronaldo havia dado perda-total no seu carro caro e veloz vermelho (Ferrari, Porsche?) num tunel lá nos United Kingdon.

Quando chegamos finalmente ao hotel, depois de passarmos por tuneis, rotatorias e vielinhas, fizemos o check-in, subimos para o quarto largamos as coisas, nos agasalhamos melhor – a gente saiu do avião em Paris e nos deparamos com 2ºC de temperatura e eu muito só tava preparada pra 13 graus… se bem que em Lisboa fazia uns 5 – olhamos o mapa rapidinho, lembramos que tinhamos visto um McDonalds ali perto e partimos.

Depois do lanchinho, seguimos pela avenida Politecnica partindo do Largo do Rato e fomos até onde achamos que conseguiriamos voltar e sentimos que haviamos explorado o suficiente depois de uma viagem tão longa. Voltamos para o apartamento e dormimos confortavelmente a nossa primeira noite europeia (urgh, brega!).

Ah sim, optamos por ficar em hoteis de categoria turística e não em hostels por dois motivos: programamos nossa viagem com uma agencia, pra evitar qualquer perrengue, que já tinha parceria com todos os hoteis que ficamos e a gente realmente queria a garantia de camas grandes, limpas, silencio e banheiros nossos.

Acordamos e a Fê tentou colocar fogo no hotel, descemos pra comer na maior migué e comemos como se não houvesse amanhã. Olhamos o mapa e saímos. Lá fora faziam humidos 8 graus e alo, aqui em São Paulo faz 9ºC as 5:30 am nas manhãs mais radicais, então estava frio! Descemos para o Largo do Rato novamente e mais uma vez seguimos pela Politécnica. Ela virou a D. Pedro V (!!) e só paramos ao chegar no Miradouro São Pedro (d’)Alcantara. De lá dá pra ter uma vista linda da parte baixa da cidade – até o Tejo – que encanta a qualquer um. Rua da Misericórdia, Praça Luís de Camões (do ladinho do Chiado), Rua do Alecrim (é tudo uma reta só), e continuamos descendo. Eis que saímos na Praça do Duque da Terceira. Pausa pro café, pra descansar e subir as meias, né Fê?

Cais do Sodré em obras (unlol), seguimos pela Ribeira das Naus até a Praça do Comércio, que tem uma vista linda, linda mesmo, pro rio. No Terreiro do Paço tivemos a idéia de pegar uma “balsa” até onde eu não tenho certeza, mas eu acho que é Barreiro. Chegamos lá que bonito que beleza, não tinha nada pra ser visto e então voltamos pro Terreiro do Paço na mesma “balsa” na qual fomos. De volta a Praça do Comércio, pegamos a rua Augusta até a Praça D. Pedro IV (!!) e voltamos pra pegar o Elevador de Santa Justa, o qual nos levou ao charmosinho Largo do Carmo. De lá seguimos até o Chiado e tiramos lindas fotos com nosso amigo de todas as horas, Pessoa.

Pegamos o metro no Chiado e descemos no Parque. O Parque Eduardo VII é bem grande, tem um jardim lindo, uma vista maravilhosa da cidade, te permitindo vislumbrar o jardim, a Praça do Marques de Pombal, a avenida Liberdade, a baixa, o rio e a diante. Descemos o parque em direção ao Marques de Pombal e de lá cortamos novamente para a nossa Travessa da Fabrica dos Pentes.

Quando chegamos ao hotel, além de guardar o que compramos em nossas mochilas no meio do hall, também arquitetamos nossa ida do hotel à Gare Oriente, estrategicamente situada do outro lado da cidade. O meio de transporte ideal era o metro, mas nenhuma das duas tinha (ainda) o know how para carregar mochilas realmente grandes por este meio de transporte. Dane-se não tinhamos tempo e depois de bater a mochila em vários cidadãos lisboetas, sofrer por escadas e se desajeitar pelas três linhas do metro da cidade, chegamos à estação de trem com uma vantagem de tempo segura para que entendessemos como o nosso passe do eurail funcionava, para daí então seguirmos efetivamente para Madri.

O trem, genial, tinha leitos. Mas leitos mesmo, tipo camas! Beliches! Além de um restaurante delicinha. Comemos bem, dormimos bem (acompanhadas de uma espanhola loira linda e barcelona) e para a nossa surpresa, quando fomos acordadas pelo mocinho do serviço de bordo, a região metropolitana da capital espanhola estava coberta de neve!

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