Viajando com pouco ou meninas mochilando no frio.

Depois de procurar e assistir uma infinidade de vídeos sobre fazer malas no youtube o que eu descobri foi o que eu já sabia: a grande maioria das meninas não sabe fazer malas quando o assunto é carregar pouca coisa. Procurando vídeos de mochileiros então, só via dicas para homens (completamente adaptáveis para moças, mas nada realmente feito e dirigido para o público feminino).

E o que a gente vê online é muito do que a gente vê ao vivo. Não é difícil ver meninas viajando com malas enormes e as arrastando por ruas de paralelepípedo, sofrendo para subi-las em trens e pagando taxas para despachá-las ao viajar com cias low-fare. E o que sai de dentro delas dentro dos quartos de hostels são diversos modelos de calças, blusas para todas as ocasiões, pelo menos 3 opções de casacos, uma infinidade de acessórios, além de produtos de higiene pessoal em tamanho real e chapinha/secador de cabelo.

A mochila amiga de anos

Nesse post vou mostrar a mala que levei para minha viagem de fim de ano no meu ano de au pair. Foi um longo exercício de analisar tudo o que já tinha levado em outras viagens e não tinha utilizado. Eu tive uma vantagem pois meu deslocamento foi todo terrestre, isso me ajudou a não ter um limite obrigatório de peso e medidas da mala, mas eu também não queria ficar carregando minha mochila feito uma condenada por aí, então eu tentei manter tudo o mais compacto possível. Seriam 16 dias fora de casa, partindo no dia 21 de dezembro (saí de casa às 07:30 da manhã) e só chegando de volta na Holanda no dia 05 de janeiro.

A primeira dica que vou dar é: inclua a roupa que você vai usar quando sair para viajar já na conta do que vai “na mala”. Isso quer dizer que quando você estiver planejando o que levar, já programar que uma das calças/camisetas/casacos que você quer levar já estarão em uso. Isso é bem óbvio, mas é fácil de esquecer e evita que a gente leve peso morto. Outra dica é: saiba que viagem você quer fazer: se você gosta da vida noturna, ao invés de levar camisetas pro dia-a-dia e roupa de balada propriamente dita, eu sugeriria você levar roupas mais bonitas, intermediárias entre balada e dia-a-dia. Assim você pode usá-las tanto à noite quanto de dia. Isso também ajuda a não levar o dobro de bagagem.

Se você for como eu e quando viaja é do tipo diurno, que acorda relativamente cedo, come bem e sai para explorar e daí às 23:00 já tá pronta para ligar um vídeo no computador e dormir… ou se é como eu também que se sai não se importa de fazê-lo de calça jeans e camiseta, melhor ainda, as dicas que darei são pra você.

Luva, cachecol, casaco grosso, duas camadas por baixo, bota quentinha... <3

Luva, cachecol, casaco grosso, duas camadas por baixo, bota quentinha… Em Viena 🙂

Viajar no inverno europeu, ainda mais quando você vai cobrir uma longa distância significa que na verdade você vai encarar “diversos invernos”. Afinal, o inverno na Holanda é diferente do da Austria, que é diferente do Tcheco, que é diferente do Reino Unido… enfim. Mas a dica que serve em todos os casos é: você precisa se manter aquecida. Luvas, toucas, cachecóis e uma bota quentinha e impermeável são indispensáveis. É isso que você precisa pôr na lista, na mala, na cabeça e principalmente no corpo. Mas apesar do plural usado ali atrás leve apenas uma touca (se seu casaco já não tiver capuz), um par de botas (e esse par precisa ser extremamente confortável) e dois pares de luvas, porque a possibilidade de perder uma peça ou o par inteiro é real.

A próxima parte do vestuário são as roupas propriamente ditas: Se você já estiver acostumada ao frio, você pode viajar só de calça jeans, não tem problema, mas eu recomendo você levar também um par de calças térmicas ou de lã para usar por baixo da jeans. No caso, recomendo levar duas calças jeans (uma no corpo e outra na mala, isso se a viagem for longa, senão é só uma mesmo). Camisetas, depende do número de dias que a viagem durará… mas se for duas semanas, 14 dias, leve 1 camiseta no corpo e mais 6 na mala. Isso quer dizer que você usará cada camiseta por dois dias. Eu sei, mas no frio eu prometo que elas vão estar boas para usar por dois dias. Sutiã cada menina tem uma regra, mas não levem mais do que três, porquê né gente? Calcinhas, se você não vai ter tempo de lavar pode levar o número exato. Calcinha hoje em dia não ocupa muito espaço e higiene em primeiro lugar! Meias seguem praticamente a mesma ideia. Só não me leve nenhum desses itens à mais do número de dias da viagem, que aí não faz sentido… mas sério, calcinha e meia vai do feeling.

Camisetas, calças, calcinhas, meias, luvas, cachecol, touca, bota… está quase terminando a parte de vestuário. Além disso tudo leve também duas malhas ou moletons mais finos pra usar entre a camiseta e o casaco grosso. E por último vem o casaco: leve apenas um casaco grosso (eu levei dois e no fim usei o outro apenas porque já tinha levado, se tivesse deixado em casa teria sido melhor). Você vai perceber que no inverno ninguém troca de casaco. É sério, as pessoas dão sim, claro, uma variada, mas é pouco… todo mundo tem aquele casaco “de bater” e durante uma viagem ninguém vai reparar que você tá com o mesmo todo dia e o segredo é: compre casacos que não mostrem sujeira. A probabilidade de você ter que comprar um casaco na Europa é enorme. Os casacos do Brasil, por mais quentinhos que sejam, não costumam ser apropriados pro frio de lá e construir várias camadas principalmente durante uma viagem, não é muito recomendado. Então compre um casaco escuro e você o usará por muito tempo sem precisar lavá-lo.

Sobre as camadas: construir camada de camiseta, malha, moletom e casaco até parece uma boa ideia, não é mesmo? Mas na verdade não é prática. Enquanto as ruas são muito frias, geladas até, todos os lugares em que você entrar terão aquecedor e descascar todas essas camadas dá muito trabalho e você vai ficar com um monte de roupa na mão… O ideal é que você use uma camiseta, uma malha e um casaco realmente grosso e quentinho. Assim quando você entrar nos lugares só vai precisar tirar o casaco. Por isso outra dica é: além de comprar um casaco escuro, compre o casaco escuro mais quentinho que você conseguir encontrar.

Maquiagem e produtos de higiene: leve um hidratante de corpo (numa embalagem menor), um hidratante facial (muito importante!), mini shampoo, condicionador e sabonete líquido. Desodorante, escova de dentes, fio dental e pasta de dentes e toalha. Lápis de olho, blush, rímel, protetor labial e um perfuminho (se tiver amostra grátis, melhor ainda). É disso o que você precisa. Em diversos lugares é possível comprar embalagens com tamanho certo para viajar… você só precisa transferir os produtos para essas embalagens e pronto! E sim, o que cabe ali é exatamente o que você precisa. A maquiagem não precisa ser super produzida. E a toalha pode ser daquelas de natação/esportes ou apenas uma toalha de cabelo… daí você faz sua mágica.

A dica mais importante que posso dar é: A nossa cabeça precisa se adaptar à viagem que vamos fazer, mais do que a mala.

Agora listarei exatamente o que tinha na minha mochila durante minha viagem de 16 dias por Colônia e Munique (Alemanha), Viena (Áustria), Budapeste (Hungría) e Praga (República Tcheca):

2 pares de luva;
2 cachecóis;
2 calças de lã pra usar por baixo da jeans;
2 calças jeans;
2 moletons finos;
1 blusa de malha;
2 casacos grossos;
7 camisetas;
15 calcinhas;
2 sutiãs/tops;
10 pares de meia;
1 toalha de esportes;
1 minikit de viagens com shampoo, sabonete líquido e condicionador;
1 jogo de escova, pasta e fio dental pra viagens;
1 hidratante de corpo e rosto;
1 blush/rímel/protetor labial;
1 bota para neve;
1 descanso de pescoço.

O que foi na mochila, faltando acessórios...

O que foi na mochila, faltando acessórios…

Além da observação que já fiz sobre o casaco grosso – leve só um – vou dar a dica da toalha que comprei na Primark por 4 euros e é ótima! Vou dar também a dica da bota que comprei numa loja da Crocs, é super confortável, não pesa nada, macia, forradinha por dentro, é impermeável e é pra neve. Eu a usava com meias normais fininhas de algodão e meu pé ficava super quentinho. É melhor você investir num calçado mais quentinho do que comprar um não tão reforçado e ter que usar meias muito grossas… às vezes elas escorregam no nosso pé e a gente acaba fazendo bolhas… e ninguém quer isso.

Bota para neve da Crocs.

Bota para neve da Crocs.

Por último, entre mala de rodinhas e mochila, acredite: a mochila é muito mais prática. Ela normalmente cabe em espaços mais apertados e distribui o peso de forma igual nas costas, enquanto a gente precisa revezar os braços para arrastar a mala e nas ruas que a gente enfrenta por aí, juro. Mochila é o ideal.

Espero ter ajudado para quando a hora de fazer as malas chegar pra vocês também!

Europa pela primeira vez: como cheguei lá mesmo?

A minha primeira viagem pra Europa não foi bem uma idéia minha. Quem sugeriu que eu viajasse, na verdade, foi minha mãe.

Eu estava no meio do terceiro ano da faculdade na época, e então decidi: iria para a Europa, que tal um mochilão? Precisaria então de duas coisas: encontrar alguém que topasse o rolê para ir comigo e planejar a viagem.

bora mochilar?

E foi mais fácil do que pensei que seria. Quer dizer, quando você comenta “estou pensando em ir mochilar na Europa” você normalmente ouve respostas positivas e empolgadas, mas depois de um pouco de ponderação, a empolgação vira dúvida antes de se tornar um “quem sabe mais pra frente” definitivo. Pois então, ao comentar meus planos com a  o que obtive foi uma resposta positiva que se tornou pura afirmação. Eu tinha companhia!

Planejar foi mais difícil, eu não sabia como nada funcionava e mesmo com a Fê, estavamos as duas com zero experiencia em territórios europeus. Foi assim que descobri o mochilão da CI, uma boa opção se você é noob e tem medo de planejar errado. Eles te ajudam em todo o processo pré embarque: montagem do roteiro, passe de trem, passagem de avião, reserva de hotel, agendamento de tours, seguro internacional. O preço deles inclui tudo isso, além de porta-cash, porta-voucher e de uma mochila enorme da trilha e rumos. O preço é mais salgado? Sim, botando na ponta do lápis saiu mais caro sim do que se tivéssemos planejado tudo sem nenhum amparo, mas a preocupação que tivemos foi mínima e mesmo assim fomos nós quem batemos todos os martelos, a agência só nos conduziu para a melhor viagem possível que poderiamos planejar.

Decidimos que gastaríamos 23 dias e 21 noites na viagem, marcada para janeiro de 2009. Seriam cerca de 5000 km percorridos de trem, indo de Lisboa a Roma, passando por Madri, Paris, Amsterdam, Berlim, Frankfurt, Salzburg e Veneza. 7 países, 9 cidades e a gente esperava: muito frio.

O planejamento me deixou muito empolgada, eu mal podia esperar para chegar logo o dia do embarque! Só tinha um problema: eu nunca tinha andado de avião e morria de medo! Tudo isso me deixava bem tensa, somando com a ansiedade é uma combinação terrível para os nervos de qualquer pessoa. Nunca ter andado de avião e fazer uma viagem de 12 horas não é para qualquer um. 12 horas num negócio que te dá medo, ainda por cima? Indo para um lugar que você tá morrendo de vontade de conhecer? Pois é, esta era eu cerca de um mês antes da viagem!

Fazer a mala foi um desafio tremendo, eu queria levar todas minhas roupas, queria levar livros; eu estava completamente fora de mim! Tanto que quando cheguei no aeroporto minha mochila já tinha 11 quilos, sendo que a idéia era levar o mínimo necessário, visto que né, não estava no auge da boa forma física e ficar carregando uma mochila por trens e metros não é uma tarefa muito fácil.

Para completar, estávamos viajando de Air France e na hora do check-in descobrimos que nosso voo estava atrasado devido à neve na pista do aeroporto lá em Paris. Isso significava que perderiamos nossa conexão, pois o destino final era Lisboa. A transferência que demoraria cerca de uma hora acabaria demorando quase 5. E a minha finalmente entrada no avião também demoraria mais! Lá estava eu, prestes a enfrentar um dos meus maiores medos e tendo que fingir calma e discontração. Meu deus!

No fim, entramos no avião e enquanto a Fê estava lá na frente, perto de uma janela, eu estava no meio do avião, no corredor, com uma criança ao meu lado e uma mulher que, obviamente, só estava falando coisa chata e pedante. Para minha sorte, a própria comissária perguntou se eu gostaria de trocar de assento, porque que a criança poderia se agitar durante o voo. Eu a avisei que minha amiga que viajava comigo estava em outro lugar do avião e que gostaria de ficar próxima a ela. Deu-se então que nos sentaram no fundo do avião, numa fileira de janela, com apenas duas poltronas, sem ninguém para nos atrapalhar.

A Fê, muito bondosa, me deixou sentar na janela e eu juro que eu passei praticamente o voo inteiro, quando não estava comendo e dormindo, com a testa colada naquela janelinha. E viajamos a noite, não havia nada que eu pudesse ver, principalmente porque a maior parte do tempo o avião ficou sobre o oceano atlântico e era um breu só. Mas eu não conseguia evitar: eu olhava o mapinha na tela, olhava a janela, olhava a janela, olhava o mapinha na tela. Essa rotina se prolongou bastante enquanto a minha companheira dormia tranquilamente, até que eu também me rendi ao sono.

Ao clarear, não tardei a acordar e novamente colei na janela, dessa vez podendo ver tudo pequenininho lá embaixo, um pedaço da África, a península ibérica, a baía de Biscay e enfim a França!

Chegamos em Paris quando os termômetros marcavam 4 graus, mas o frio estava em talvez oitavo plano, tamanha era minha empolgação! Iriamos ficar boas horas ali esperando o próximo voo, dessa vez bem mais curto, com destino à Lisboa!

Guiando-se

Certo, ficou combinado que contarei para vocês dos meus passeios internacionais. E por internacionais eu quero dizer Europa, que é pra onde eu fui, né? Já estou falando de algo que sei só uma parte, não falarei daquilo que não sei. Antes de começar gostaria de compartilhar também algumas das providências que tomei (e pretendo tomar novamente no futuro) antes de embarcar.

O que vou contar aqui pode soar um pouco control freak demais, mas assim: essa sou eu. Pra eu me sentir segura num lugar que é 14.000 km longe da minha casa, eu acho justo fazer as coisas assim e quem julga alguma dessas coisas desnecessária não precisa copiar, ué.

Vamos lá? Vamos!

Depois de decidido o destino gosto de comprar um guia. Sim, aquele livro que pode ser pesado e enorme e que contém todas as informações que a gente pode encontrar online. E o motivo de eu comprar o guia é que nele eu consigo manter o foco e ter uma base pra tudo: passeios, museus, estadia, comida e transporte. Afinal, o guia é editado, certo? A internet provém muita informação e as coisas podem ficar um pouquinho confusas, principalmente nessa primeira fase do planejamento.

Das duas vezes que fui até o velho continente passei por diferentes países e se da primeira vez foi uma maratona (7 países, 9 cidades e 20 e poucos dias), na segunda vez pude fazer as coisas com mais calma, tendo apenas três cidades para visitar em quase um mês.

Da primeira vez comprei O Guia Criatiativo para O Viajante Independente na Europa, que é um guia enorme e super últil. Por que? Porque ele é um guia continental, ou seja, ele seleciona as principais atrações das principais cidades de vários países da Europa.

Considerando que  numa viagem tempo = detalhes, um guia como esse é o ideial; Não ele não vai te dar dicas super quentes sobre lugares super curiosos, mas  isso não quer dizer que você vai sair de Paris sem ver o Louvre porque não tinha no guia. Minha primeira vez no velho continente eu não tinha muito tempo e uma vez estando na capital francesa eu não poderia sair de lá sem passar exatamente por suas principais atrações. E eu uso a cidade luz aqui como um mero exemplo, isso é aplicável em quase todos os destinos.

O guia me serviu muito bem e eu saí de Paris com a sensação de que não perdi nenhuma atração.

Na minha segunda vez viajando, como tinha mais tempo, usei guias mais específicos: o guia de Berlim do Lonely Planet se revelou incrível, o guia de passeios em Paris da Folha se revelou hiper detalhado e o guia Barcelona De A a Z se mostrou uma opção barata e bem completa.

Enfim, acho impossível nomear aqui o melhor guia, mas nas livrarias daqui de São Paulo é fácil de encontrar os já famosos Guia da Folha, os Lonely Planet, os Fodor’s e também os Frommer’s. A lista de opções é extensa, mas vou aproveitar pra dizer que se você é um jovem viajante, desbravador do mundo, provavelmente não vai encontrar muitas dicas quentes nos guias Michellin. Não farei muitos comentários, mas sintam-se avisados.

Ah! Outro detalhe bacana: antes de comprar um guia, dê uma olhada na data da edição, pra garantir que as informações não estejam muito ultrapassadas.

Escolheu o guia? Agora é a hora de desbravar. O guia. Lembre-se, o guia é seu e com certeza, depois de tantos resumos feitos na escola, você já tá craque em destacar aquilo que julga importante e bem, agora é a hora. Destaque tudo o que julga necessário. Eu gosto de marcar as páginas com clipes e de grifar os lugares que me interessam. É assim que eu edito o guia e fazendo assim eu sei exatamente o que procurar quando folhear aquelas páginas novamente.

Já cansou? Completamente compreensível, mas relaxa que já estamos terminando.

Agora o que eu normalmente faço é procurar tudo o que eu selecionei no guia online (o que?!). Pode parecer loucura, mas agora eu já sei o que quero ver e só quero confirmar se o serviço que o guia traz está certinho, atualizado e, no caso de museus, terá alguma exposição temporária quando eu estiver na cidade. Isso se faz pelos sites dos próprios museus. Os guias que trazem opção de hospodagem são bem úteis, mas é também legal verificar os preços online, além de ser mais importante ainda dar uma olhadinha em sites como o tripadvisor ou o hostel world onde outros viajantes que já passaram pelo lugar deixam suas impressões.

Terminada esta etapa, eu pego toda a informação nova recolhida e colo no guia. Colo post-its, anoto no cantinho e atualizo meu guia.

Tudo isso é lindo pra mim, porque quando chega lá na hora, no centro da alguma cidade cujo idioma eu não conheço, eu posso recorrer ao guia – sem precisar de nenhum chip especial, sem precisar usar 3g com roamming, nem nada – e pronto, ali está minha solução.

Prontinho! Fazer tudo isso só torna a viagem ainda mais real pra mim!

Contos europeus.

Devido à um novo projeto pessoal resolvi fazer aqui algo que nunca fiz antes: Falar das minhas andanças pelo velho continente.

Paris em janeiro de 2009

Pra não falar que nunca falei disso, em 2008 citei algumas coisas sobre os preparativos do meu primeiro mochilão e quando voltei fiz um texto mais abrangente de como foi a viagem.
Ainda não sei exatamente sobre o que, ou como, vou falar aqui. Talvez adote um tom mais narrativo mesmo, e daí, se julgar algo bacana, dou a dica. Como tenho boas lembranças, e sou um tanto detalhista nessas coisas, pode ser que o resultado seja legal e tudo isso sirva pra alguma coisa, ou melhor, seja de uso para alguém.
Não planejo fazer nenhum guia, porque né, viagem não tem regra, depende muito das pessoas que estão nela. Um achado incrível não vale pra todo mundo e eu só sei das coisas que deram certo pra mim.
Quero contar do brechó digno que fui em Paris, da paella que todo mundo desrecomendou em Barcelona, das muitas mutretas no transporte público de Berlim… tudo isso tá fresquinho ainda aqui na cabeça porque aconteceram apenas há quase um ano. Vou tentar resgatar algumas coisas do mochilão de 2009, como fazer mil roles no mesmo dia, onde precisa de mais tempo, onde dá pra passar batido (mentira, isso é impossível). Retratarei como rodei a Europa de trem e quais foram as vantagens e desvantagens.
Se alguém quiser me ajudar e sugerir aqui, ou no facebook (quero fingir que a página lá tá bacana), algum desses temas que vocês acham que seria interessante.
Vale lembrar que eu sou meio maniaca-da-organização-de-viagens, então não entro num avião sem saber como se sai do aeroporto de destino de transporte público, nem fico sem analisar todo o mapa metroviário – quando existente. Porém não vou contar essas coisas agora, porque não quero estragar um post vindouro. ha-ha.

Berlim em junho de 2011

Lisboa e o primeiro trem

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

O plano era simples: Janeiro de 2009, inverno europeu, 1 continente, 7 países, 9 cidades, 21 noites, 23 dias, 2 garotas eventualmente perdidas: eu e a e inicialmente duas mochilas.

Primeira parada: Lisboa. O plano inicial era que passassemos dois dias na capital portuguesa, mas devido a neve em Paris (nossa conexão), o voo de São Paulo atrasou, o que nos fez perder o avião Paris-Lisboa e então ao inves de pegamors o voo das 12:45 e chegar em em Portugal as 14:30, pegamos o voo das 16 e tantas e só saímos do aeroporto de Lisboa, propriamente dito, umas 18 e tralalá. E acreditem, 4 horas perdidas pra quem só tem 24 é bastante coisa.

Com o atraso do voo, perdemos o transfer (ma oe) e já iniciamos nossa aventura pagando taxi em euros. Pegamos também avenidonas bonitas da cidade, o que nos lembrou as avenidas Indianopolis e Brasil e os predios eram bem parecidos com aqueles da região da avenida São Luís. Pegamos transito e ouvimos no radio as noticias sobre futebol. O internacional Cristiano Ronaldo havia dado perda-total no seu carro caro e veloz vermelho (Ferrari, Porsche?) num tunel lá nos United Kingdon.

Quando chegamos finalmente ao hotel, depois de passarmos por tuneis, rotatorias e vielinhas, fizemos o check-in, subimos para o quarto largamos as coisas, nos agasalhamos melhor – a gente saiu do avião em Paris e nos deparamos com 2ºC de temperatura e eu muito só tava preparada pra 13 graus… se bem que em Lisboa fazia uns 5 – olhamos o mapa rapidinho, lembramos que tinhamos visto um McDonalds ali perto e partimos.

Depois do lanchinho, seguimos pela avenida Politecnica partindo do Largo do Rato e fomos até onde achamos que conseguiriamos voltar e sentimos que haviamos explorado o suficiente depois de uma viagem tão longa. Voltamos para o apartamento e dormimos confortavelmente a nossa primeira noite europeia (urgh, brega!).

Ah sim, optamos por ficar em hoteis de categoria turística e não em hostels por dois motivos: programamos nossa viagem com uma agencia, pra evitar qualquer perrengue, que já tinha parceria com todos os hoteis que ficamos e a gente realmente queria a garantia de camas grandes, limpas, silencio e banheiros nossos.

Acordamos e a Fê tentou colocar fogo no hotel, descemos pra comer na maior migué e comemos como se não houvesse amanhã. Olhamos o mapa e saímos. Lá fora faziam humidos 8 graus e alo, aqui em São Paulo faz 9ºC as 5:30 am nas manhãs mais radicais, então estava frio! Descemos para o Largo do Rato novamente e mais uma vez seguimos pela Politécnica. Ela virou a D. Pedro V (!!) e só paramos ao chegar no Miradouro São Pedro (d’)Alcantara. De lá dá pra ter uma vista linda da parte baixa da cidade – até o Tejo – que encanta a qualquer um. Rua da Misericórdia, Praça Luís de Camões (do ladinho do Chiado), Rua do Alecrim (é tudo uma reta só), e continuamos descendo. Eis que saímos na Praça do Duque da Terceira. Pausa pro café, pra descansar e subir as meias, né Fê?

Cais do Sodré em obras (unlol), seguimos pela Ribeira das Naus até a Praça do Comércio, que tem uma vista linda, linda mesmo, pro rio. No Terreiro do Paço tivemos a idéia de pegar uma “balsa” até onde eu não tenho certeza, mas eu acho que é Barreiro. Chegamos lá que bonito que beleza, não tinha nada pra ser visto e então voltamos pro Terreiro do Paço na mesma “balsa” na qual fomos. De volta a Praça do Comércio, pegamos a rua Augusta até a Praça D. Pedro IV (!!) e voltamos pra pegar o Elevador de Santa Justa, o qual nos levou ao charmosinho Largo do Carmo. De lá seguimos até o Chiado e tiramos lindas fotos com nosso amigo de todas as horas, Pessoa.

Pegamos o metro no Chiado e descemos no Parque. O Parque Eduardo VII é bem grande, tem um jardim lindo, uma vista maravilhosa da cidade, te permitindo vislumbrar o jardim, a Praça do Marques de Pombal, a avenida Liberdade, a baixa, o rio e a diante. Descemos o parque em direção ao Marques de Pombal e de lá cortamos novamente para a nossa Travessa da Fabrica dos Pentes.

Quando chegamos ao hotel, além de guardar o que compramos em nossas mochilas no meio do hall, também arquitetamos nossa ida do hotel à Gare Oriente, estrategicamente situada do outro lado da cidade. O meio de transporte ideal era o metro, mas nenhuma das duas tinha (ainda) o know how para carregar mochilas realmente grandes por este meio de transporte. Dane-se não tinhamos tempo e depois de bater a mochila em vários cidadãos lisboetas, sofrer por escadas e se desajeitar pelas três linhas do metro da cidade, chegamos à estação de trem com uma vantagem de tempo segura para que entendessemos como o nosso passe do eurail funcionava, para daí então seguirmos efetivamente para Madri.

O trem, genial, tinha leitos. Mas leitos mesmo, tipo camas! Beliches! Além de um restaurante delicinha. Comemos bem, dormimos bem (acompanhadas de uma espanhola loira linda e barcelona) e para a nossa surpresa, quando fomos acordadas pelo mocinho do serviço de bordo, a região metropolitana da capital espanhola estava coberta de neve!

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.