Obrigada internet.

Domingo fui encontrar a Jack e o Danilo para matarmos a saudade, básicamente. Em determinada altura da noite, no entanto, nos pegando falando dos genpets.

Àquela altura eu não fazia ideia do que se tratava, mas eles me contaram que é um animal, geneticamente modificado, que se alimenta de uma ração específica e que respira, faz necessidades… enfim, existe por um determinado momento, como brinquedo, como animal de estimação. Sim, claro, fiquei perturbada, mas não desconfiada. Vocês leram o noticiário no último mês?

Segunda-feira, com calma, de bobeira na internet vi alguma coisa similarmente bizarra e então lembrei do papo de domingo. Num combo google+wikipedia descobri que tudo relacionado aos Genpets se tratava de um hoax, uma farsa, uma mentirinha.

Genpets, a living organism from genetic mutation.Genpets are a mixed media installation art piece by artist Adam Brandejs.[1] It is considered a hoax of exposure. The project has been shown in multiple galleries in Canada and Europe and has garnered some attention in the mass media.

The creations were sculpted, automated creatures made of latex and plastic, and housed robotic circuitry to simulate slow respiration. They looked like small, baldskinned and ugly humanoids, and were intended to be displayed as living, but dormantbioengineered creatures for purchase as pets. The fabricated packaging indicated a purchaser had a choice of colors, for different personalities and levels of activity,[2] and that the creatures had a limited vocal capacity. The sculptures and packaging, along with the professional-appearing hoax website, are so realistic that observers are often fooled.[3][4]

Obrigada mundo. Obrigada internet.

Ignorância

Um dos meus maiores medos é falar daquilo que não sei. Acho que alguns de vocês (ou todos) já perceberam isso. É por isso que relutei tanto para começar a falar das minhas viagens, por exemplo, porque não queria soar de um jeito que me faz parecer alguém que entende tudo do assunto ao dar as dicas, quando claramente não entendo. E qualquer um que entende vai pensar “que otária”, porque é assim que me sinto quando leio alguns outros blogs sobre alguns outros temas.

É um troço estranho, mas me incomoda muito ver pessoas que não fazem a mínima idéia do que estão falando publicando coisas por aí, seja no facebook, seja no twitter, seja em seus blogs.

Eu não sei exatamente o que leva as pessoas a falarem as groselhas que falam, mas acho que elas realmente acreditam que sabem do que estão falando. E o pior, o resto das pessoas está tão sem referência que elas também acreditam! E daí, o horror! Ah o horror! De abrir um blog e ler tanta superficialidade e ver que outras 103 pessoas gostaram e comentaram que aquilo tudo é muito boa informação e que a partir de agora vão tentar copiar o autor do post.

Pára! Tá tudo errado, gente! Parem de se importar tanto com as tendências! Parem de se copiar! Parem de ficar na moda, de manjar o hype, bla bla bla bla. Trendsetter meu cú.

Queria fazer parte de uma época onde ainda existiam pessoas com traços fixos em suas personalidades e em seus gostos. E não me entendam mal, eu acredito em pessoas que mudam de bandas preferidas, que descobrem coisas novas e as preferem ao que já existia em seus repertórios, o problema não é esse. É que se você olhar em volta, vai ver gente que a cada 6 meses é especialista em algo novo que se já não está, logo estará na crista da onda. Gente, a crista da onda é tão chata.

E mais: estamos realmente num mundo onde é preciso admirar tanto alguém que saiba só um pouco a mais do que você? A discussão nunca é justa. Sempre fico com aquela impressão de os textos nos blogs são “chorai, leitores despreparados, hoje falarei de algo que está bombando no momento. Se vocês ainda não usam, logo estarão e a novidade se chama comer cocô” e então os comentários são “nossa, não acredito que até agora vivi sem isso, muito legal você ter me mostrado, vou tentar usar e comento aqui de novo pra dizer como foi”.

Não quero parecer muito amarga e, sei lá, acho que é legal dar uma mastigada em algo que você acha muito legal e contar pros seus leitores, ainda mais se seu blog, ou seu twitter tem um alcance bacana. Tá certo, quando a gente curte algo a gente quer mostrar pros outros. É como na escola, no dia do brinquedo a gente levava o brinquedo preferido e queria mostrar pra todos como nosso brinquedo era legal. Mas nem tudo é tão bacana, nem tudo vai mudar nossas vidas e a gente nem sempre sabe tudo sobre aquilo. E eu acho que, pra mim, é aí onde mora o problema.

Realmente fico irritada quando vejo pessoas que não entendem de um determinado tema falando sobre aquilo como se fosse a coisa mais genial do mundo! Ou falando como se fosse a coisa mais estúpida do mundo. De duas, uma: ou você descobre mais sobre o negócio e daí conta, ou você vai continuar fazendo papel de besta para aqueles que sabem mais sobre o negócio.

E eu tou falando de coisas superficiais como música, balada, moda e qualquer outra coisa moderninha e que importam aos jovens antenados.

Dói muito a alma ler tanta groselha e fico triste de verdade ao ver que tem tanta gente por aí que realmente compra essas groselhas como informação de qualidade.

Sei lá, isso me irrita tanto que nem consigo ser racional direito e me expressar de um modo que faça sentido.

 

Reclame

Eu ia fazer um post simples no twitter, mas claro, não coube, então vim aqui, tirar a poeira que acumulou e me expressar um pouquinho mais extensamente:

Eu não sou uma leitora de blogs, e sim, eu sei, eu tenho um blog (um canto obscuro da inter-nets), mas pra mim blogs ainda precisam ser pessoais… por mais que só falem de atualidades, design, comportamento ou qualquer outra coisa, blogs existem para que o autor se expresse. Tem muito blog que vive a base de pesquisa de mercado. “O que atrairia leitores?” e não o contrário.

Mas eu leio sim alguns blogs, a maioria de pessoas que eu conheço – e a outra parte de pessoas que passei a conhecer através exatamente de seus blogs.

Certo, não quero viajar muito, até porque nesse assunto de blog-internet-vida pessoal eu tenho um outro assunto no gatilho, que até cabe aqui, mas vou deixar de fora por enquanto.

Existe um certo blog que quando eu comecei a ler eu achei bacana, a autora escrevia coisas que normalmente as pessoas não dizem. E meses se passaram, vários meses e alguma coisa começou a mudar. Acho que a autora estava finalmente se firmando, eu já conhecia o estilo dela e aquelas coisas que ninguém mais dizia começaram a se mostrar como arrogância.

Parei de ler, também, o blog com tanta frequência, agora deixo o reader acumular um pouco antes de clicar nele. E conversando com um amiga e algumas outras pessoas um dia desses surgiu um comentário sobre exatamente esse blog e foi comentando o mesmo que eu estava sentindo: como essa pessoa estava se tornando… hm… desinteressante. Aparentemente eu não estou sozinha.

Mas sempre que eu o abro no reader e leio a autora falando de férias, procura de emprego, tardes ao som de sei lá, Caetano Veloso tudo me parece estranho. É exatamente por já conhecer a autora que eu acabo sentindo preguiça. Eu leio que dezenas de pessoas curtiram aqueles textos e eu só consigo pensar “meu deus, mas quanta groselha!”.

São idéias diferentes das minhas, mas tão diferentes, que me inspiram a escrever também. A não dizer nada com nada, tem sido difícil articular uma única idéia por aqui, mas registrar que também tenho direito as minhas groselhas, sejam elas curtidas só por mim ou também mais alguns gatos pingados.

E eu também comecei a sentir que essas coisas que ninguém mais diz acabaram se tornando artificiais, vazias, escritas sob a premissa de “o que deixaria todo mundo chocado e me faria parecer alguém irreverente”, não sendo realmente – a autora – chocante ou irreverente.

Aparentar, em textos, ainda que nessa era digital, continua sendo muito diferente de ser, em carne e osso. E então me leva a pensar também que eu não preciso escrever minhas groselhas sempre que elas passam pela minha cabeça, eu não preciso dar minha opinião online sobre tudo. Ninguém precisa. Então ok. Estou tranquila.

Mulheres, futebol, homens e a internet.

Pra quem não sabe, estou num tumblr engraçado, descompromissado e cheio de homens bonitos. É acima de tudo uma brincadeira, um meio de diversão, tanto pra quem acessa o site quanto pra quem faz o site.

A que é pouco esperta teve a idéia de fazermos um blog com jogadores gostosos, porque né, tá cheio deles por aí e a copa do mundo é uma enorme vitrine. Mesmo quem não gosta de futebol assiste um jogo ou dois e quem gosta da fruta repara – sim – em quem tá em campo. Pois bem, quando ela me chamou pra entrar com ela no gatosdacopa eu aceitei logo de cara, e porque não? Adoro futebol e adoro homem. Hahaha.

O time ficou completo com a participação da Jana, da Ju e da Ale, as quais eu não conheço muito bem e não sei exatamente qual o nível de interesse delas pelo esporte. Mas acredito todas entendem pelo menos um pouco do negócio e gostam do jogo, até porque, não acho que alguém se submeteria a assistir jogos apenas pra ver homens bonitos e depois postar num site da internet.

Eu gosto – e muito – de futebol, não vou dizer que é desde criancinha porque demorou bastante pra eu entender o rolê e pegar o espírito da coisa. Mas eu sou daquele tipo que acompanha o futebol, que vê jogos além dos do meu time, que acompanha outros campeonatos além da série A do Brasileiro e da fase eliminatória da Champions League. Eu sou daquele tipo que para pra assistir jogo transmitido pela Rede Vida e que gosta de assistir em silencio pra não perder os lances do jogo no meio de um bate-papo. Eu participo de rodas de debate com rapazes e o primeiro caderno da Folha que eu leio todo dia é o de esportes. Eu não preciso provar isso na internet. Eu achei extremamente imbecil enumerar isso neste parágrafo.

Eu não acredito que seja necessário colocar um disclaimer na home do tumblr para que as pessoas se desprendam de julgamentos mesquinhos. Da falsa sensação de superioridade de pessoas que têm album do farmville no facebook, por acreditarem que quem coloca fotos de homens bonitos na internet se resumem a isso. Não é necessário que a gente responda um questionário sobre a lei do impedimento pra provar que é possivel gostar de homens bonitos e ainda entender de futebol.

Tudo bem, pode achar ridículo cinco mulheres pagando pau pra jogador de futebol bonito e gostoso? Claro que pode, o que não vale é achar que porque essas cinco mulheres fazem isso, claramente por diversão e não se levando a sério, que elas fazem apenas isso. Mais ridículo que ficar periguetando jogador de futebol em um blog descompromissado é se restringir a ideia de que fazer isso inibe a possibilidade de se gostar ou de entender o esporte.

Mulheres, se acalmem, respirem e realizem: se vocês repararem na coxa daquele jogador delicioso daquela seleção do leste europeu ou do norte da África, ou de sei lá onde, vocês não estarão anulando todos os anos que passaram assistindo a jogos e vibrando com lances e jogadas e devotando-se ao puro exercício do gostar de verdade de futebol. Deixem disso e deixem de ser ridículas.