Dicas de leitura: Au pairs – parte 2.

Há uns 3 meses mais ou menos eu dei algumas dicas de blogs (e vlogs) de au pairs que estão na Holanda e nos EUA. Pois bem, uma nova leva de au pairs está chegando ou chegou há um tempinho e por isso vou dar novas dicas! É legal para quem quer acompanhar as (des)aventuras em série dessa nova leva em tempo real. Acho que a troca de experiências pode ser mais valiosa assim. Vamos às dicas!

Minha primeira indicação é um blog de uma futura au pair nos EUA, a Aline. O bla bla bla au pair é um blog gostoso de ler porque os posts são curtinhos, mas frequentes, então não tem erro nem prolongação. A escrita é super bem humorada e ela explica direitinho assuntos como a burocracia do visto americano para au pairs, fala sobre a região onde irá morar lá na costa leste e também tem um espaço super menininha, com desabafos (claaaro) e receitas de deliciosidades que nos é sempre útil.

O Brasileira na França é um blog bem descritivo, mesmo! A autora, Jéssica chegou há pouco tempo na França e está relatando com detalhes o seu dia a dia. É legal ler sobre uma rotina tão parecida, mas ainda assim num lugar tão diferente do eixo que eu pelo menos estou acostumada. E desde antes do seu embarque ela já não economizava nas palavras e sempre compartilhou todas as informações que envolvem o processo pra lá. Esse blog é pra quem gosta de boas histórias.

O Surviving the Unknown é o blog da Flávia e é um dos que eu adoro ler. Ela está indo para a Holanda logo logo e eu não sei explicar direito, mas ela é tão direta, objetiva, não sei explicar mesmo! Mas gosto da maneira como ela se expressa e dos temas que aborda no blog. É um blog sóbrio, mas fluido, gostoso de ler.

Se você procura um blog doce, minha dica é o Pra Nunca Esquecer, da Raphaela. Ela acabou de chegar lá na Holanda e por enquanto está atualizando bastante. O blog é bastante feminino, não só esteticamente, mas o conteúdo também, apesar de ser bastante pessoal. Ela dá dicas legais e comenta sobre sua rotina.

A Liza usa o Tamanco Verde e Amarelo para contar alguns causos, compartilhar alguns fatos e registrar sua estadia lá no sul da Holanda. Ela já está lá há algum tempo, isso é verdade, mas no outro post eu acabei esquecendo de dar essa dica. É uma leitura tranquila e é sempre legal acompanhar as histórias de gente como a gente hahaha.

A Luanda tem um blog-diário que é um dos mais completos que já vi nessa minha vida de leitora de blogs de au pairs. Pra vocês terem uma ideia, ela fez um post que eu considero o santo graal das dicas de o que levar na mala. Eu não vou entrar em muitos detalhes sobre isso agora, é claro, mas deem uma linda. Texto lindo! Ela chegou em Den Haag (Holanda) no começo do mês e já foi au pair nos EUA também, dá pra ler tudo sobre a primeira experiência dela lá nos arquivos do blog. Uma delícia!

O IsamsterDAMN! não é simplesmente um blog, a autora, a Isa, aproveitou o gancho e o transformou num site bastante completo. Os assuntos não são diferentes dos de um blog comum, mas a navegação e o layout são bem diferentes. O nome vem do fato de ela estar chegando em Amsterdam logo logo, mas já faz algum tempo que ela vem escrevendo sobre a experiência toda. Ela também está na equipe d’O Blog das 30 Au Pairs.

O único rapaz a integrar a lista de blogs que indico é o Willian com o Agora que sou au pair na Holanda. Ele também já foi au pair nos EUA e agora mora em Maastricht, no sul do país das tulipas. O blog é bem maduro, mas também é muito divertido e a leitura é super fácil. Além disso tudo, é muito legal ler a opinião não só de alguém que já tem experiência no assunto, mas também de um homem sobre esse universo tão dominado por nós mulheres.

Pra fechar o post, indico o blog da Beth, o Bem me leve. Já faz algum tempo que ela voltou pro Brasil (tipo, alguns anos), mas ela ainda usa o blog pra contar das memórias e experiências que teve. No entanto o blog não é um caderno de memórias, todo nostálgico e romântico… é claro que esses elementos estão presentes, porque fazem parte da saudade, mas o foco principal é relembrar, reviver e dar dicas para as atuais e futuras au pairs que ainda são direcionadas ou caem de paraquedas em seu blog. Além disso os arquivos da época em que ela foi au pair ainda estão disponíveis então é possível espiar o que aconteceu no seu ano holandês.

Pronto! Bem provável que eu ainda faça diversos outros posts sobre o tema, porque gente… haja au pair! E dentre todas, sempre existem aquelas que se arriscam a escrever e conseguem construir conteúdo belo e útil para aquelas que também querem se aventurar ou que querer estar pertinho delas durantes suas aventuras.

Europa pela primeira vez: como cheguei lá mesmo?

A minha primeira viagem pra Europa não foi bem uma idéia minha. Quem sugeriu que eu viajasse, na verdade, foi minha mãe.

Eu estava no meio do terceiro ano da faculdade na época, e então decidi: iria para a Europa, que tal um mochilão? Precisaria então de duas coisas: encontrar alguém que topasse o rolê para ir comigo e planejar a viagem.

bora mochilar?

E foi mais fácil do que pensei que seria. Quer dizer, quando você comenta “estou pensando em ir mochilar na Europa” você normalmente ouve respostas positivas e empolgadas, mas depois de um pouco de ponderação, a empolgação vira dúvida antes de se tornar um “quem sabe mais pra frente” definitivo. Pois então, ao comentar meus planos com a  o que obtive foi uma resposta positiva que se tornou pura afirmação. Eu tinha companhia!

Planejar foi mais difícil, eu não sabia como nada funcionava e mesmo com a Fê, estavamos as duas com zero experiencia em territórios europeus. Foi assim que descobri o mochilão da CI, uma boa opção se você é noob e tem medo de planejar errado. Eles te ajudam em todo o processo pré embarque: montagem do roteiro, passe de trem, passagem de avião, reserva de hotel, agendamento de tours, seguro internacional. O preço deles inclui tudo isso, além de porta-cash, porta-voucher e de uma mochila enorme da trilha e rumos. O preço é mais salgado? Sim, botando na ponta do lápis saiu mais caro sim do que se tivéssemos planejado tudo sem nenhum amparo, mas a preocupação que tivemos foi mínima e mesmo assim fomos nós quem batemos todos os martelos, a agência só nos conduziu para a melhor viagem possível que poderiamos planejar.

Decidimos que gastaríamos 23 dias e 21 noites na viagem, marcada para janeiro de 2009. Seriam cerca de 5000 km percorridos de trem, indo de Lisboa a Roma, passando por Madri, Paris, Amsterdam, Berlim, Frankfurt, Salzburg e Veneza. 7 países, 9 cidades e a gente esperava: muito frio.

O planejamento me deixou muito empolgada, eu mal podia esperar para chegar logo o dia do embarque! Só tinha um problema: eu nunca tinha andado de avião e morria de medo! Tudo isso me deixava bem tensa, somando com a ansiedade é uma combinação terrível para os nervos de qualquer pessoa. Nunca ter andado de avião e fazer uma viagem de 12 horas não é para qualquer um. 12 horas num negócio que te dá medo, ainda por cima? Indo para um lugar que você tá morrendo de vontade de conhecer? Pois é, esta era eu cerca de um mês antes da viagem!

Fazer a mala foi um desafio tremendo, eu queria levar todas minhas roupas, queria levar livros; eu estava completamente fora de mim! Tanto que quando cheguei no aeroporto minha mochila já tinha 11 quilos, sendo que a idéia era levar o mínimo necessário, visto que né, não estava no auge da boa forma física e ficar carregando uma mochila por trens e metros não é uma tarefa muito fácil.

Para completar, estávamos viajando de Air France e na hora do check-in descobrimos que nosso voo estava atrasado devido à neve na pista do aeroporto lá em Paris. Isso significava que perderiamos nossa conexão, pois o destino final era Lisboa. A transferência que demoraria cerca de uma hora acabaria demorando quase 5. E a minha finalmente entrada no avião também demoraria mais! Lá estava eu, prestes a enfrentar um dos meus maiores medos e tendo que fingir calma e discontração. Meu deus!

No fim, entramos no avião e enquanto a Fê estava lá na frente, perto de uma janela, eu estava no meio do avião, no corredor, com uma criança ao meu lado e uma mulher que, obviamente, só estava falando coisa chata e pedante. Para minha sorte, a própria comissária perguntou se eu gostaria de trocar de assento, porque que a criança poderia se agitar durante o voo. Eu a avisei que minha amiga que viajava comigo estava em outro lugar do avião e que gostaria de ficar próxima a ela. Deu-se então que nos sentaram no fundo do avião, numa fileira de janela, com apenas duas poltronas, sem ninguém para nos atrapalhar.

A Fê, muito bondosa, me deixou sentar na janela e eu juro que eu passei praticamente o voo inteiro, quando não estava comendo e dormindo, com a testa colada naquela janelinha. E viajamos a noite, não havia nada que eu pudesse ver, principalmente porque a maior parte do tempo o avião ficou sobre o oceano atlântico e era um breu só. Mas eu não conseguia evitar: eu olhava o mapinha na tela, olhava a janela, olhava a janela, olhava o mapinha na tela. Essa rotina se prolongou bastante enquanto a minha companheira dormia tranquilamente, até que eu também me rendi ao sono.

Ao clarear, não tardei a acordar e novamente colei na janela, dessa vez podendo ver tudo pequenininho lá embaixo, um pedaço da África, a península ibérica, a baía de Biscay e enfim a França!

Chegamos em Paris quando os termômetros marcavam 4 graus, mas o frio estava em talvez oitavo plano, tamanha era minha empolgação! Iriamos ficar boas horas ali esperando o próximo voo, dessa vez bem mais curto, com destino à Lisboa!

Guiando-se

Certo, ficou combinado que contarei para vocês dos meus passeios internacionais. E por internacionais eu quero dizer Europa, que é pra onde eu fui, né? Já estou falando de algo que sei só uma parte, não falarei daquilo que não sei. Antes de começar gostaria de compartilhar também algumas das providências que tomei (e pretendo tomar novamente no futuro) antes de embarcar.

O que vou contar aqui pode soar um pouco control freak demais, mas assim: essa sou eu. Pra eu me sentir segura num lugar que é 14.000 km longe da minha casa, eu acho justo fazer as coisas assim e quem julga alguma dessas coisas desnecessária não precisa copiar, ué.

Vamos lá? Vamos!

Depois de decidido o destino gosto de comprar um guia. Sim, aquele livro que pode ser pesado e enorme e que contém todas as informações que a gente pode encontrar online. E o motivo de eu comprar o guia é que nele eu consigo manter o foco e ter uma base pra tudo: passeios, museus, estadia, comida e transporte. Afinal, o guia é editado, certo? A internet provém muita informação e as coisas podem ficar um pouquinho confusas, principalmente nessa primeira fase do planejamento.

Das duas vezes que fui até o velho continente passei por diferentes países e se da primeira vez foi uma maratona (7 países, 9 cidades e 20 e poucos dias), na segunda vez pude fazer as coisas com mais calma, tendo apenas três cidades para visitar em quase um mês.

Da primeira vez comprei O Guia Criatiativo para O Viajante Independente na Europa, que é um guia enorme e super últil. Por que? Porque ele é um guia continental, ou seja, ele seleciona as principais atrações das principais cidades de vários países da Europa.

Considerando que  numa viagem tempo = detalhes, um guia como esse é o ideial; Não ele não vai te dar dicas super quentes sobre lugares super curiosos, mas  isso não quer dizer que você vai sair de Paris sem ver o Louvre porque não tinha no guia. Minha primeira vez no velho continente eu não tinha muito tempo e uma vez estando na capital francesa eu não poderia sair de lá sem passar exatamente por suas principais atrações. E eu uso a cidade luz aqui como um mero exemplo, isso é aplicável em quase todos os destinos.

O guia me serviu muito bem e eu saí de Paris com a sensação de que não perdi nenhuma atração.

Na minha segunda vez viajando, como tinha mais tempo, usei guias mais específicos: o guia de Berlim do Lonely Planet se revelou incrível, o guia de passeios em Paris da Folha se revelou hiper detalhado e o guia Barcelona De A a Z se mostrou uma opção barata e bem completa.

Enfim, acho impossível nomear aqui o melhor guia, mas nas livrarias daqui de São Paulo é fácil de encontrar os já famosos Guia da Folha, os Lonely Planet, os Fodor’s e também os Frommer’s. A lista de opções é extensa, mas vou aproveitar pra dizer que se você é um jovem viajante, desbravador do mundo, provavelmente não vai encontrar muitas dicas quentes nos guias Michellin. Não farei muitos comentários, mas sintam-se avisados.

Ah! Outro detalhe bacana: antes de comprar um guia, dê uma olhada na data da edição, pra garantir que as informações não estejam muito ultrapassadas.

Escolheu o guia? Agora é a hora de desbravar. O guia. Lembre-se, o guia é seu e com certeza, depois de tantos resumos feitos na escola, você já tá craque em destacar aquilo que julga importante e bem, agora é a hora. Destaque tudo o que julga necessário. Eu gosto de marcar as páginas com clipes e de grifar os lugares que me interessam. É assim que eu edito o guia e fazendo assim eu sei exatamente o que procurar quando folhear aquelas páginas novamente.

Já cansou? Completamente compreensível, mas relaxa que já estamos terminando.

Agora o que eu normalmente faço é procurar tudo o que eu selecionei no guia online (o que?!). Pode parecer loucura, mas agora eu já sei o que quero ver e só quero confirmar se o serviço que o guia traz está certinho, atualizado e, no caso de museus, terá alguma exposição temporária quando eu estiver na cidade. Isso se faz pelos sites dos próprios museus. Os guias que trazem opção de hospodagem são bem úteis, mas é também legal verificar os preços online, além de ser mais importante ainda dar uma olhadinha em sites como o tripadvisor ou o hostel world onde outros viajantes que já passaram pelo lugar deixam suas impressões.

Terminada esta etapa, eu pego toda a informação nova recolhida e colo no guia. Colo post-its, anoto no cantinho e atualizo meu guia.

Tudo isso é lindo pra mim, porque quando chega lá na hora, no centro da alguma cidade cujo idioma eu não conheço, eu posso recorrer ao guia – sem precisar de nenhum chip especial, sem precisar usar 3g com roamming, nem nada – e pronto, ali está minha solução.

Prontinho! Fazer tudo isso só torna a viagem ainda mais real pra mim!