A igreja do Brink no por do sol

Um post sobre Baarn

Baarn é um pedacinho de amor em forma de cidade na província de Utrecht. Com cerca de 24 mil habitantes, está localizada a 37 ou 46 minutos de Amsterdam via trem (depende se você vai de sprinter ou vai combinar sprinter + intercity). A cidade também está a 6 minutos de Hilversum, 17 minutos de Amersfoort e 32 minutos de Utrecht. Tudo de trem, tudo pertinho.

A cidade está próxima a outras também ricas e recheadas de au pairs, como Naardem, Bussum, Laren, Blaricum e Huizen… e pela proximidade com Amsterdam, muitos hosts trabalham fora de Baarn, transformando a cidade numa espécie de cidade-dormitório-de-luxo. A cidade, até o início do século XX era um reduto de campo para os afortunados da capital da Holanda do Norte, por isso mesmo possui uma região cheia de Villas, casas enormes cheias de quartos e de até 3 andares, com torres e sacadas. Foi esse pedaço da cidade que pude chamar de meu. Mas ela também é bem urbanizada ao melhor estilo holandês, mesmo que não ostente os famosos canais.

Foi em Baarn que nasceu a ex rainha do Reino dos Países Baixos, Beatrix, e foi na Nieuwe Baarnse School que o atual rei, Willen Alexander, e seus irmãos estudaram antes de se mudarem para Den Haag. Atualmente a ex rainha mora no Palácio de Soestdijk, que fica a 10 minutos de pedalada da estação de trem da cidade. A estação, inclusive possui uma sala de espera real, onde Beatrix e outros membros da família real provavelmente aguardam um possível trem que os levará de lá para outros lugares. Na verdade, nunca vi os membros reais a utilizando e não saberia dizer se eles pegam trens mesmo hahaha. Mas a sala de espera real existe, no último andar do prédio da estação.

Outro morador ilustre da cidade foi o artista plástico M.S. Escher, que morou por lá desde após a segunda guerra mundial, até um pouco antes da sua morte, no começo dos anos 70.

Baarn possui diversos playgrounds, várias escolas de educação infantil, uma praça central com igreja e coreto, alguns supermercados, o principal sendo o Albert Heijn da Eemnesserweg. A cidade também possui uma Hema de bom tamanho e bons cafés no Brink (adoro demais esse nome hahaha), que é a praça central da cidade e também várias lojas conhecidas por toda a Holanda, como a Zeeman, Blokker, Kruidvat, DA, Bruna, etc, etc na Laanstraat. Bancos também tem, Rabobank, ABN Amro e ING para o gosto do cliente. Na cidade você também encontra aves no parque da Bosstraat, “bambis” no parque coladinho com o Meander Medisch Centrum e seguindo pela Eemnesserweg sentido Groeneveld, você encontra um grande campo de pasto com três vacas bem peludas.

No verão, no parque da Bosstraat, é montado um mini restaurante que vende um prato nacional. As famosas poffertjes são nada menos que mini panquecas holandesas, feitas em uma forma de fritar especial e servidas juntinhas e um pouco bagunçadas, com açúcar de confeiteiro ou até mesmo com mel. Já na época do Natal, diversos moradores montam em seus jardins e em suas casas presépios nos mais diferentes estilos e é organizada uma rota para se visitar um a um.

Baarn é também lar da Associação holandesa de Escoteiros, do Groeneveld – uma casa/mansão de campo que virou museu com um enorme jardim com um riacho para caminhadas e pedaladas gostosas, de inúmeros bikepaths para você se perder com sua bicicleta por entre as árvores e de vários asilos. Sério, um amigo holandês me contou que o apelido em holandês da cidade é traduzido como “cemitério verde”, pois é destino de muitos aposentados… e também é muito arborizada.

Andar por Baarn é a certeza de sempre ver, em qualquer estação do ano, omas com seus netinhos pelos parques, cafés cheios de gente e pessoas pra lá e pra cá em suas bicicletas. O que eu nunca vi foram os ônibus das duas linhas que servem a cidade passando. Uma vez eu vi um homem parado num ponto de ônibus e me cocei muito para não parar e aguardar o ônibus com ele, só pra ver o tal do ônibus hahahaha.

Para se divertir, as au pairs costumam tomar café e comer kippnuggets com maionese no De Kerkbrink, um café simpático com preços bons no Brink; comer um sanduíche gostoso e tomar um sorvete no Petershof da Eemnesserweg; mandar uns kebabs doidos e deliciosos no Sultan Dönner da Niewstraat ou no Farao da Laanstraat; e tomar uma cerveja ou um vinho branco doce no Prins Hendrik, o famoso PH (pronuncia-se Pirrá, em holandês) querido e costumeiro de todas as au pairs. (Minha geração batia ponto lá, espero que as seguintes continuem hahaha.)

Baarn é uma cidade onde eu conheci o que qualidade de vida significa. Mesmo pequenininha, com jeitinho de vila, cheiode velhinhos pela rua, sem grandes baladas… Baarn foi a cidade que me fez feliz na Holanda, e quando eu me sentia grande demais para ela, eu estava há um trem de distância de outras cidades… ou há alguns minutos de pedalada de mim mesma.

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Posts atrasados: planejamento da viagem de fim de ano.

Aproveitando que atualizei a página de Viajando Barato aqui no blog, com dicas de sites para encontrar e comprar passagens (de ônibus, trem e avião) e reservar hostel, vou começar os trabalhos finalmente sobre a viagem de fim de ano.

Antes de tudo o planejamento!

A ideia era simples: eu teria duas semanas para viajar no final do ano. Seria de um sábado, dia 21 de dezembro até um domingo, dia 05 de janeiro. Na verdade eu estava livre para zarpar à partir das 19:00 horas da sexta, dia 20, mas aí já seria desespero demais hahaha, então acabei estabelecendo essas datas mesmo. O que eu queria, claro, era aproveitar as férias ao máximo e depois de ter estabelecido o tempo de viagem, veio a grande questão: o destino.

Eu já tinha tido a oportunidade em outras visitas à Europa de conhecer capitais e outros destinos turísticos de Portugal, Espanha, França, Alemanha, Áustria e Itália. Também fui pra Londres, Glasgow e Edimburgo nas férias de outono, em outubro de 2013… Quando chegou a hora de escolher o destino das férias de fim de ano, eu decidi que queria passar um natal gelado. Muitas meninas aproveitam para ir para destinos com temperaturas mais amenas, mas considerando que eu sou brasileira e todo natal aqui é quente e ensolarado, aquela era uma ótima oportunidade para passar um natal com cara de natal… ou sei lá, um natal que justifica um Papai Noel com roupa de inverno.

Comecei a pesquisar preços e locomoção para a Escandinávia, meu destino de desejo maior até hoje, porque assim que comecei houve duas coisas que me desencorajaram a perseguir esse destino: os preços estavam completamente fora da minha realidade (eu teria que fazer um aperto forte e um malabarismo financeiro bem danado) e conversando com pessoas que entendem de frio, ir para um lugar assim quando está tão frio, numa época onde todos ficam em casa e celebram as festas de fim de ano em família, eu não veria nem faria muito. O clima melancólico tinha um forte potencial. Então a ideia de passar por Copenhague, Bergen, Oslo, Estocolmo e Helsinki não foi pra frente.

Depois de desistir da Escandinávia, virei-me para outro canto que já tinha passado perto, mas não tinha explorado propriamente: Europa Oriental. Quer dizer, eu acho que no final das contas foi uma Europa semi-Oriental a que visitei, mas mesmo assim. Conversando com algumas meninas e explorando bastante o mapa do continente escolhi que passaria por Praga, Budapeste, Viena e Munique. Como teria tempo resolvi incluir Colônia também na lista.

Vale lembrar que quando fiz esse planejamento eu ainda não sabia que voltaria pro Brasil, talvez se soubesse teria incluído um destino diferente de Colônia, ou até mesmo teria dado uma passadinha em Berlim pra ver a Raquel.

Decidido os destinos, comecei a pesquisar preços e preços e preços. Juro que fiquei mais de uma semana olhando e comparando todas as opções de meio de transporte que eu tinha. Quando eu finalmente tinha estabelecido tudo e fui comprar. Os preços tinham subido muito e foi aí que eu resolvi ver se caso eu invertesse a ordem das cidades, eu conseguiria um preço melhor. E sim! Da primeira vez eu iria primeiro para Praga num trem noturno saindo de Utrecht. De lá iria de trem para Budapeste, que de trem seguiria para Viena, seguindo novamente por trilhos até Munique, de onde um trem me levaria pra Colônia. No meu último destino, embarcaria num trem que me levaria novamente pra Utrecht. Todo o trajeto seria de trem e fácil, porém com a subida de valores inverti tudo e mudei alguns trens por ônibus.

A ordem passou a ser: Baarn > Colônia (trem); Colônia > Munique (ônibus); Munique > Viena (trem); Viena > Budapeste (trem); Budapeste > Praga (ônibus); e por fim, Praga > Baarn (trem)

Parte 1: De Baarn para Colônia
No dia 21 de janeiro, peguei um trem às 08:21 em Baarn e cheguei em Colônia cerca de 5 horas depois, após trocar de trem em Utrecht, Eindhoven, Venlo (na Holanda) e Mönchengladbach na Alemanha. Valeu a pena? Eu gosto de acreditar que sim. O trem direto custava mais de 40 euros, eu peguei 5 trens e paguei menos de 30. Além disso, toda essa troca de trens foi bastante aventurosa hahaha.

Fiquei em Colônia por 2 noites e me hospedei no Weltempfänger Backpacker Hostel, que é bem fácil de chegar (fica na cara do metrô) e você leva 10 minutos caminhando até o centro.

Colônia - Köln - Cologne

Colônia – Köln – Cologne

Parte 2: De Colônia para Munique
No dia 23 de dezembro, lá estava eu às 7:00 da manhã no ponto de saída do ônibus para segui viagem primeiro até Frankfurt e depois até Munique. O ônibus sairia de Colônia às 7:45 e eu chegaria em Munique às 19:00. Seriam cerca de 10 horas de ônibus. Valeu a pena? Bom, eu paguei cerca de 40 euros na passagem. Comparado ao preço do avião e do trem, foi um valor bem inferior e apesar de eu não ter conseguido um ônibus para viajar durante a madrugada, foi bom porque eu estava com uma febre horrorosa e eu pude ficar o dia inteiro quietinha, quentinha, cochilandinho.

Em Munique fiquei hospedada num hostel super próximo do centro e da estação central da cidade, tipo ficava na rua em frente a estação: sucesso. Sem falar que o Wombats City Hostel Munich tem uma estrutura bem grande e com ótimas áreas de convivência, café da manhã gostoso e quartos muito bons!

Munique - München - Munich

Munique – München – Munich

Parte 3: De Munique para Viena
A viagem de trem entre Munique e Viena não é longa, demora cerca de 4 horas. Isso quer dizer que um trem noturno não compensa e considerando que o dia clareia às 9 da manhã praticamente e às 4 da tarde já está quase escuro de novo, o legal seria viajar enquanto havia luz no dia. Saí de Munique às 13:30 do dia 26 de dezembro e cheguei em Viena no fim da tarde. Valeu à pena? Sim! O preço foi bom (60 euros) num trajeto que o ônibus demoraria muito mais e não estava tão mais barato. Sem falar que o trem que faz esse percurso direto (apenas uma parada de 6 minutos em Salzburg) é mega confortável, compensa bastante. Você viaja tranquilo.

Em Viena fiquei no Hostel Ruthensteiner, um hostel legal, bem próximo do metrô e da estação central da cidade, além de ser a só uns 20 minutos de caminhada do Palácio de Schönbrunn. O preço estava ótimo, mas talvez por um pouquinho mais eu tivesse ficado num melhor.

Viena - Wien - Vienna

Viena – Wien – Vienna

Parte 4: De Viena para Budapeste
De trem, Viena e Budapeste ficam à um pulo de distância. Não demora nem três horas e foi isso o que eu fiz. No dia 29 de dezembro peguei um trem às 19:00 na Hauptbahnhof de Viena e antes das 22 já estava lá em Budapeste! Se valeu à pena? Nossa, demais! O preço foi ótimo: 29 euros. E a estação de trem de Budapeste é muito mais acessível que o terminal de ônibus. Eu poderia ter ido andando (daria uns 20 minutos) da estação central de Budapeste para o Hostel, mas pelo horário escolhi pegar o metrô e rapidinho cheguei lá, mesmo tendo me perdido um pouco depois de sair da metrô hehehe.

O hostel Casa de la Musica era bem legal, conheci pessoas ótimas, a segurança boa e os banheiros eram bem legais. Mas minha amiga pegou bedbugs (e eu não, apesar de estarmos na mesma beliche).

Budapeste - Budapest - Budapest

Budapeste – Budapest – Budapest

Parte 5: De Budapeste para Praga
Esse foi o pior trecho da viagem. Fui de ônibus e as estradas são bem esburacadas e eu passei a viagem inteira tremendo e balançando hahaha. Sem falar de que no meio do caminho o ônibus parou, o motorista falou algo, todo mundo desceu e trocou de ônibus, até aí tudo bem, o problema é que tudo isso aconteceu num idioma que eu não falo nem reconheço (e eu até agora não sei se foi em tcheco ou húngaro, ou se foi até mesmo em eslovaco hahaha – até porque eu não sei em que país eu tava nessa hora). Segui o povo e antes de entrar no outro ônibus eu mostrei a passagem pro motorista que me indicou positivamente para entrar no ônibus. Sei lá, só sei que cheguei em Praga hahaha. Valeu à pena? Eu acho que sim. O preço na passagem está em HUF, florins húngaros, e eu acho que foi barato sim, foram 6500 HUF para uma viagem de 7 horas. Eu me lembro que minha amiga que foi comigo para Praga estava sem passagem e fomos juntas até a estação de trem comprar uma passagem pra ela. Ela pagou acho que 40 euros e eu fiquei morrendo de inveja pra ir com ela de trem. Mas né? Não ia desperdiçar uma passagem de ônibus comprada com antecedência. (olhei no google, hoje 6500 Hungarian forints = 20.6130549 Euros, que em reais dá 62 reais)… é valeu à pena sim.

Em Praga eu fiquei no Fusion Prague Hotel (eles são chiques e não se chamam de hostel). A localização é uma maravilha: são 2 quarteirões da estação de trem central da cidade, são uns 7 quarteirões da Autobusové nádraží Praha Florenc, o terminal de ônibus internacionais e à caminhadas tranquilas de tudo o que você quer ver em Praga. Sério! Sem falar que os quartos são ótimos, enormes, camas gostosas, banheiro com um chuveiro delicioso e tudo super novo. Recomendo muito forte.

Praga - Praha - Prague

Praga – Praha – Prague

Parte 6: De Praga para Amsterdam
Enquanto eu viajava, minha volta para o Brasil tinha sido acertada para o dia 06 de janeiro, o dia imediatamente após minha volta à Holanda, e como eu já tinha deixado tudo praticamente pronto lá em Baarn e meu voo sairia as 8:00 da manhã de Schiphol, meus hosts acharam melhor reservar um hotel para mim já no aeroporto para facilitar a minha movimentação final. Por isso acabei não voltando exatamente para Baarn, mas sim para Amsterdam.

Minha passagem era entre Praga e Utrecht, apesar de o trem seguir sim para a Amsterdam Centraal. No final do meu último dia de viagem propriamente viajando, peguei minha malinha e segui a pé do hostel para a estação central de Praga. Lá, às 18:30 do dia 4 de janeiro, peguei o trem noturno que me levaria de volta para a Holanda. Antes da meia noite já estávamos parados na Berlim Ostbahnhof e me deu um aperto enorme no coração estar tão próxima à Raquel e não poder vê-la. Depois de uma parada de cerca de meia hora na capital Alemã, o trem seguiu viagem e após inúmeras paradas que mal percebi pois dormia, o trem chegou na Holanda por volta das 7:00 da manhã do dia 05 de janeiro. Depois de uma parada não muito gostosa para verificação de passaporte/documentação seguimos viagem e finalmente o trem parou em Utrecht. Como já havia tido uma verificação de passagens junto com os passaportes e o destino final mesmo era Amsterdam, eu até poderia ter continuado no trem porque dificilmente alguém viria verificar novamente as passagens, mas como sou chatinha/medrosa para essas coisas, escolhi descer do trem e pegar um intercity mesmo até Amsterdam.

 

Amsterdão - Amsterdam - Amsterdam

Amsterdão – Amsterdam – Amsterdam

Todas as fotos do post foram tiradas por/pertencentes a mim.

Sobre o fim.

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Sim, faz muito tempo que não atualizo e vou tentar explicar direitinho o porquê. Esse canto é cheio de buracos e me dou esse direito porque o aceite esta manga é acima de tudo e ainda, um blog pessoal. Quando quero e consigo: escrevo.

A verdade é que eu voltei da Holanda em Janeiro e sim, quem sabia o que eu tava fazendo ali sabia exatamente que eu deveria ter ficado um ano, mas depois do começo conturbado que tive por lá eu decidi que ficaria enquanto fosse incrível. Problemas, dificuldades, todas au pairs passam, mas eu acho que a intensidade, a maneira como eles se apresentam e também a maneira como a enfrentamos varia de família pra família e de au pair para au pair. Eu gosto de conversar sobre os problemas, mantenho o bem humor e sempre – enquanto estive lá – tentei fazer o trabalho de equipe, seguir as ordens do capitão, mas demonstrando proatividade.

A questão é que a minha host mom era ausente, trabalhava infinitamente mais que o host dad durante a semana e apesar de tivermos tido diversas conversas sobre como as coisas deveriam acontecer, eu nunca fui realmente guiada, eu nunca recebi um “faça assim, não faça assim”, apenas recebia feedbacks (e que eu adorava, já que era a única coisa que conseguia ter deles) “você fez isso e não foi bom” e raríssimos “você fez isso, funcionou, repita”. Meu host dad era um pai super carinhoso, presente e consciente: ele via o que acontecia com as crianças no sentido emocional e encarava o problema de maneira objetiva. Minha host mom era super carinhosa, mas não tão presente nem consciente. Ela tinha uma visão bem firme de como ela queria criar os filhos, mas não estava lá para aplicar o método. E inúmeras vezes tirava o poder e desmoralizava os feitos e escolhas do pai na frente das crianças. Imagina como era comigo?

Depois dos primeiros meses eu me acostumei com o jeito dela, mas achava muito injusto e todas as conversas que tínhamos não chegavam à lugar nenhum… dúvidas que eu tinha e perguntava a opinião dela eram recebidas como sinal de fraqueza, coisas que eu resolvia por mim, nunca pareciam agradar… enfim.

Mas o pior mesmo foi o fato de eu descobrir que ela falava mal de mim na frente dos filhos. O meu relacionamento com ambos era muito bom de início, com alguns problemas pontuais (que eu não podia abordar da maneira que eu abordaria, porque, por exemplo, eu não podia colocá-los de castigo). O menino era o que me dava mais trabalho: ele não gostava de se trocar para ir pra escola e eu era a responsável por essa função. As saídas que encontrei e que davam certo não foram bem aceitas pela mãe, mas a realidade é que não importava como eu fizesse, ou como o host dad fizesse… o menino queria que a mãe o ajudasse. Ponto, quando depois de muita gritaria da parte do menino, ela finalmente atendia, ele estava pronto em menos de 3 minutos. Ele também encarava a relação com a irmã de forma competitiva, queria sempre ganhar, sempre ter mais atenção e no momento da janta, quando estávamos sozinhos, ele aproveitava para fazer um show. Depois de muito tempo eu consegui contornar a situação, mas ainda não era o idealizado pela mãe. Depois de um tempo o menino começou a me perguntar se eu queria ir embora em janeiro. Começou a me dizer que já sabia quem seria a próxima au pair que ficaria no meu lugar e afins. Eram coisas que ele ouvia da mãe.

Como eu estava decidida que ficaria enquanto fosse incrível e maravilhoso e como eu não queria enfrentar mais dramas, no final de dezembro conversamos e ficou decidido que após minhas férias de fim de ano, nosso contrato estava terminado. Eu poderia ter escolhido e brigado pelo rematch, mas pra ser sincera, vejam vocês: eu estou no Brasil há 3 meses e até agora não recebi um email da agência. No dia da nossa conversa eu até liguei pra lá, mas como sempre, ninguém atendeu. A verdade é que depois de um tempo, a cada vez que a minha host mom me dava uma resposta torta e completamente gratuita, eu sentia que eu estava perdendo meu tempo lá.

Eu sei, eu sei, ser au pair é uma experiência única. Eu entendi diversas coisas sobre mim e sobre meu relacionamento com o mundo, com outras pessoas. Morar na Holanda é outra experiência única. Eu amava minha bicicleta com todo o meu coração, eu morria de prazer ao pedalar aquela Baarn inteirinha. Eu me sentia viva quando descia pedalando rápido pra estação e o vento gelado cortava meu rosto e eu então saltava e travava minha bicicleta e corria pra pegar o trem. O trem que me levava pra um dos lugares que mais amo no mundo. Planejar viagens me mostrou que sim, não há prazeres igual sair por aí com sua mochila e conhecer o mundo, ao seu tempo, à sua maneira, qualquer lugar – perto ou longe – é só apontar o dedo, conferir o orçamento e ir! Não me entendam mal, tudo o que eu vivi lá foi lindo e foi intenso e foi maravilhoso. É uma experiência que eu nunca vou deixar de recomendar… quem quiser, quem puder: vá! Vai que você vai se sentir vivo.

Acontece que quando eu fui, eu já tinha esperado muito, mas muito tempo mesmo pra ir. Eu comecei projetos porque não podia ficar parada enquanto esperava e tive que interrompê-los. Eu adiei planos que são primordiais pra minha felicidade pra ter essa experiência. Eu coloquei no fundo da mente coisas que sempre quis fazer para priorizar a experiência de ir para a Holanda. Quando eu percebi que eu tinha deixado tudo isso parado no Brasil para realizar um sonho… e quando a gente percebe que sonhos transformados em realidade são isso mesmo: realidade, e a realidade vem acompanhada de tudo o que é real, inclusive dor, decepção e dúvida… Pesei tudo e vi que o sonho por mais maravilhoso que fosse, não estava compensando o que eu deixei aqui. E quando chegou a hora de decidir: tentar o rematch ou voltar, eu escolhi voltar. Eu escolhi tirar do “pause” tudo o que mais me importa.

A gente tem que fazer escolhas baseadas no que nos deixarão feliz à longo prazo. Eu fui muito feliz, apesar dos trancos e barrancos, nos meus 5 meses na Holanda. Eu fiz amizades que se tornaram importantíssimas enquanto estava lá e que se mostram duradouras, mas os 5 meses foram o suficiente pra mim. Meu intercâmbio tinha data de validade desde o começo, eu só escolhi que ele acabasse antes, porque o que me faz feliz pra vida toda estava aqui e não lá. Nunca esteve lá e disso eu sempre soube.

 

3 meses de Holanda!

Oi!

Aposto que vocês já não aguentam… “ai que chato, lá vem ela com mais um post nos contanto há quanto tempo ela está lá na tal da Holanda”… e pois é gente, é isso mesmo!

Hoje faz 3 meses que desembarque aqui nas terras baixas da Holanda. São 3 meses pedalando (o que me faz achar que estou sempre muito lenta quando preciso caminhar), 3 meses passeando de trem pra lá e pra cá apreciando vaquinhas e ovelhinhas e cavalinhos na paisagem campestre. Basicamente é isso.

Sim, pra ser superficial é isso, mas ao mesmo tempo é tanta coisa mais! Meu deus do céu, eu não consigo transportar todas as ideias pra cá. Eu fiz tanto nesses três meses do que tanto desejei e planejei nos últimos tempos que não me caibo de felicidade. A sensação de ter ultrapassado a fase de adaptação também é deliciosa.

No que diz respeito às viagens, bom, eu conheci diversas cidades aqui na Holanda já e ainda tenho muitas outras para visitar, já fiz a minha primeira viagem internacional e pude visitar 3 cidades que sempre me deixaram curiosa. No que diz respeito à alimentação eu tenho conseguido manter um belo equilíbrio gastronômico (e prometo fazer um post só sobre isso) e tenho conseguido manter o foco na ideia principal que rege minha vida não importa onde: continuar emagrecendo. Sim, ao contrário do que é temido, eu tenho conseguido perder peso e também, com a ajuda da bicicleta eu tenho conseguido me exercitar – de graça – de uma maneira bem mais prazerosa do que eu conhecia no Brasil.

No que diz respeito à host family, eu só posso dizer que sim: eu estou bastante feliz com o meu match e agora que o fantasma da fase de adaptação finalmente saiu da casa, eu me sinto muito confortável na companhia deles, gosto muito do espaço que eles me dão, além das oportunidades. O início foi BEM difícil, mas agora que as coisas encontraram o ritmo eu posso dizer que eu não tenho do que reclamar… apesar de que claro, às vezes alguma coisa acontece e a gente precisa desabafar, mas nada é ruim que não seja superado e esquecido em 5 minutos.

Ser au pair é, dentre muitas coisas, um eterno exercício de paciência e auto-controle. Eu já falei sobre isso e apesar de os motivos serem outros, esse exercício já começa quando iniciamos o processo e continua, provavelmente, até o fim do programa. Mas cada coisinha que acontece, cada contratempo, cada birra das kids, elas só somam. Só nos deixam mais fortes e nos fazem perceber que ao lidar com humanos a gente tem sim certa responsabilidade, mas precisamos entender que o resultado final da relação não depende só de nós… enfim, ser au pair também nos ajuda a perceber melhor a medida das coisas.

Sobre os 3 meses… eu não posso acreditar! Quando cheguei aqui, a Isabella, uma linda que mora em Amsterdam <3, estava me falando sobre a crise dos 6 meses que ela estava sofrendo, por estar exatamente no meio do programa. Ela disse que era um misto de realização por tudo o que fez no seu primeiro semestre aqui com a sensação de que os próximos 6 meses não seriam o suficiente para fazer tudo, além da antecipação do fim, que seria algo muito ruim. Enfim, passado o primeiro semestre ela já sabia que ela não quer ir embora. Eu estou sentindo algo parecido. Eu sinto que já fiz muito, estou muito feliz, mas ao mesmo tempo estou com medo e me prometendo fazer um melhor planejamento pro meu tempo aqui em 2014: eu quero fazer tanta coisa que tô com medo de que se eu não me programar, eu não vou conseguir realizar. Eu não posso acreditar que eu só tenho mais 9 meses aqui!

Um mês que parece um ano

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Hoje, dia 17 de setembro, comemora-se o primeiro mês de Larinha na Holanda! Posso afirmar que esse foi realmente o mês mais intenso da minha vida. E olha que já tive bastante oportunidades para intensidade.

A intensidade ainda não acabou, verdade, acho que se um dia acabar, não vai ser tão logo, mas agora já estou conseguindo processar e lidar com tudo o que tá rolando comigo desde que cheguei aqui. As duas primeiras semanas foram facílimas, unicamente pelo fato de que eu tinha a ex-au pair me acompanhando em tudo. Depois que ela se foi, eu achei que continuaria dominando tudo direitinho… foi quando eu comecei a sentir dores horríveis no rim(!). Uma coisa não está ligada à outra, mas elas aconteceram ao mesmo tempo e minha terceira semana aqui só teve um pensamento: quero voltar pro Brasil. Pode parecer “fraco”, mas ficar longe da sua família, tentar se adaptar à uma nova rotina, à novas pessoas que serão sua família nesse próximo ano e ficar doente ao mesmo tempo é simplesmente difícil… além disso, o sistema de saúde aqui é bastante diferente da maneira que rola no Brasil e lento, muito lento… muito lento pras dores que eu sentia.

Ficar doente aqui me fez sentir que eu não tava fazendo o que vim fazer aqui, apesar de ter continuado trabalhando normalmente, com exceção da segunda feira de manhã, que foi logo seguinte ao ápice da dor no rim. Eu sentia que estava deixando meus hosts na mão, não estava conseguindo ser eu mesma e agradar as kids e principalmente, eu não tinha ninguém que me compreendesse ao meu lado. Depender de skype e fuso horário pra conseguir que alguém que você ama te conforte é algo bastante chato. Ainda mais quando o toque não é possível.

Minha quarta semana aqui, a semana passada, foi marcada com a aceitação da situação que eu escolhi pra mim. Eu precisei me relembrar diversas vezes o porque estou aqui, o quanto eu quis tudo isso e que eu sempre soube que não seria fácil – só não precisava ser tão difícil. Depois de tudo isso, no meio de tudo isso, eu me peguei sentido saudade de coisas que imaginei que demoraria mais pra sentir… sentir saudade de pegar meus ônibus, de caminhar até o metro, de comer coxinha! Tudo isso aconteceu em tão pouco tempo!

Quando eu imagino que há 20 dias eu estava com a outra au pair aqui ainda, achando que tudo seria tão simples… parece que foi outra vida. E quando eu imagino que há 30 dias eu tocava quem eu mais amo nessa vida pela última vez pelos próximos, no mínimo, 6 meses… eu sinto e imagino que esse um ano já acabou e logo logo eu vou poder tocá-los novamente, mas não! Ainda faltam 11 meses e taaaaaaaanta coisa pra viver, que eu quero viver, que eu já me planejei tanto para viver!

Mesmo com tanta coisa chata, ainda deu tempo pra viver coisas muito boas e que me fizeram muito bem. Estou começando a criar laços, ou pelo menos a me enturmar, com as au pairs da minha cidade, estou confirmando amizades que sempre estiveram presentes e também descobrindo outras novas.

Espero voltar a escrever aqui com maior frequência… esse último mês foi uma montanha russa de emoções, muita coisa me deixou muito abalada e outras tantas coisas me acalmaram e só agora eu estou encontrando o eixo. Acho que logo tudo se acerta e eu vou conseguir contar tudo de bom que tem rolado também.

Depois de quase 2 semanas…

Hoje completam 2 semanas que eu embarquei pra esse ano.

As despedidas foram rápidas, um evento com os amigos, irmãos, namorado; e um abraço, uma conversa, um até logo com cada um dos meus avós durante a semana. No dia do embarque estive com cada um dos meus irmãos, resolvi aquelas coisas que deveriam ser rápidas, por isso a gente acha que dá tempo de fazer no dia do embarque e fui com meus pais pro aeroporto. Chorei quando me despedi da Weedy também, não vou negar nem esconder.

No aeroporto, filas, óbvio. Segundos preciosos e abraços apertados. Embarquei e vim. No voo mal dormi, não pela ansiedade, mas sim porque fazia um calor ridículo no avião… Consegui dar uma descansada, mas cheguei toda torta depois de tão poucas horas dormidas naquelas últimas 48. No controle de passaporte o fiscal até me perguntou se eu precisava de algo, porque, juro, mesmo depois de uma paradinha no banheiro pra me recompor e lavar o rosto eu ainda estava bastante vermelha do calor do avião. Tudo certo, o policial só me perguntou o motivo da minha viagem, me perguntou quanto tempo pretendo ficar no país e carimbou meu visto.

Fui recebida no aeroporto por um hostdad bastante simpático e duas kids que são menores do que eu imaginava (ainda bem!) e bastante receptivas à minha chegada. Em casa, aqui em Baarn, a hostmom nos aguardava com uma espécie de almoço dutch-tropical. Depois de conversarmos fui liberdada para descansar… coisa que fiz durante todo o fim de semana, salvo a manhã de domingo, quando a host me levou para caminhar com as kids num bosque (eles chamam de floresta, mas é bosque) que tem aqui bem perto e almoçarmos. Tudo aqui é lindo e bucólico.

Depois da pizza no domingo à noite, a rotina começou pra valer. Com a ajuda da antiga au pair, que só foi embora ontem, eu fui pegando o jeito das coisas, descobrindo onde fica o quê e também fui apresentada às au pairs daqui da cidade. Não há muito o que contar sobre a rotina… estou me adaptando aos poucos e agora que estou sozinha com as kids, garanto o quanto foi bom ter a antiga au pair aqui nos últimos dias, porque mesmo com a receptividade das kids, sempre há uma resistência, mas a transição foi muito natural e ela me mostrou muito do trato com as crianças. Adorei isso. Agora estou instalada no meu quarto que será meu canto seguro no próximo ano e ainda assim, não dá pra acreditar…

Já fui até Zaandam, Utrecht, Amersfoort e Amsterdam e no próximo final de semana, vou ter a sexta livre também… então acho que está na hora de começar a planejar algo.

quarto janela

I have a match!

Placed

Olha ali o carimbinho que tanto desejei ver na minha fotinho!

 

Eu não tinha muito o que falar, lembra? Apesar de muitas, mas muitas mesmo, coisas estarem acontecendo. Agora aconteceu algo que vale a pena contar. Pois é, cerca de um ano após o primeiro post dessa novela começar, venho contar o novo capítulo!

Realmente, na vida, paciência é uma virtude. Mas pra ser au pair essa virtude é indispensável. Claro que algumas meninas têm a sorte de não precisar usar muito da tal paciência logo de cara, porque a fase pré-match é rápida, mas nem sempre é assim e quando as coisas começam a demorar um pouquinho a gente sempre tende a dar pulinhos de ansiedade e a andar em círculos sem foco só pensando porque tá demorando tanto.

Depois de muito exercitar minha paciência, depois de um tempo eu percebi que a gente não pode depositar nossas expectativas num objetivo só, então eu comecei a focar em outras coisas (eu mesma, por exemplo) e a espera se tornou muito mais confortável. Depois de 6 meses, a House me avisou que havia uma família interessada em me conhecer.

Quando li o perfil deles me senti segura, tudo o que eu li se encaixava exatamente no que eu esperava: número e idade das kids, schedule, tipo de cidade. E parecia que eu também poderia ser o que eles esperavam. Depois de uma conversa com a host mom (com participação especial e inesperada das kids), uma conversa com a atual au pair, uma conversa com o host dad e mais uma conversa com os hosts juntos eles ficaram de se decidir… e eu recebi um email deles me dizendo que adorariam que eu seja a nova au pair deles! Aceitei na hora. Todas as conversas foram ótimas pra mim e, tirando a primeira conversa com a host mom, não houve nervosismo, eu me senti bastante confortável.

Vou morar em Baarn, uma “little town” super charmosa (de acordo com o google street view) e bastante segura e gostosa de se morar (segundo a atual au pair deles, que também é brasileira). Lá tem bastante au pairs de outros países que não o Brasil, e elas acabam formando um bom círculo social internacional. Baarn fica perto de Amersfoort, Hilversum, Utrecht e parece que de trem demora-se cerca de 40 minutos para chegar na Amsterdam centraal (igual eu pra chegar na aiupa, só que pra chegar na aiupa eu demorava cerca de 1:30 hora hahahaha).

Me sinto assim: