3 meses de Holanda!

Oi!

Aposto que vocês já não aguentam… “ai que chato, lá vem ela com mais um post nos contanto há quanto tempo ela está lá na tal da Holanda”… e pois é gente, é isso mesmo!

Hoje faz 3 meses que desembarque aqui nas terras baixas da Holanda. São 3 meses pedalando (o que me faz achar que estou sempre muito lenta quando preciso caminhar), 3 meses passeando de trem pra lá e pra cá apreciando vaquinhas e ovelhinhas e cavalinhos na paisagem campestre. Basicamente é isso.

Sim, pra ser superficial é isso, mas ao mesmo tempo é tanta coisa mais! Meu deus do céu, eu não consigo transportar todas as ideias pra cá. Eu fiz tanto nesses três meses do que tanto desejei e planejei nos últimos tempos que não me caibo de felicidade. A sensação de ter ultrapassado a fase de adaptação também é deliciosa.

No que diz respeito às viagens, bom, eu conheci diversas cidades aqui na Holanda já e ainda tenho muitas outras para visitar, já fiz a minha primeira viagem internacional e pude visitar 3 cidades que sempre me deixaram curiosa. No que diz respeito à alimentação eu tenho conseguido manter um belo equilíbrio gastronômico (e prometo fazer um post só sobre isso) e tenho conseguido manter o foco na ideia principal que rege minha vida não importa onde: continuar emagrecendo. Sim, ao contrário do que é temido, eu tenho conseguido perder peso e também, com a ajuda da bicicleta eu tenho conseguido me exercitar – de graça – de uma maneira bem mais prazerosa do que eu conhecia no Brasil.

No que diz respeito à host family, eu só posso dizer que sim: eu estou bastante feliz com o meu match e agora que o fantasma da fase de adaptação finalmente saiu da casa, eu me sinto muito confortável na companhia deles, gosto muito do espaço que eles me dão, além das oportunidades. O início foi BEM difícil, mas agora que as coisas encontraram o ritmo eu posso dizer que eu não tenho do que reclamar… apesar de que claro, às vezes alguma coisa acontece e a gente precisa desabafar, mas nada é ruim que não seja superado e esquecido em 5 minutos.

Ser au pair é, dentre muitas coisas, um eterno exercício de paciência e auto-controle. Eu já falei sobre isso e apesar de os motivos serem outros, esse exercício já começa quando iniciamos o processo e continua, provavelmente, até o fim do programa. Mas cada coisinha que acontece, cada contratempo, cada birra das kids, elas só somam. Só nos deixam mais fortes e nos fazem perceber que ao lidar com humanos a gente tem sim certa responsabilidade, mas precisamos entender que o resultado final da relação não depende só de nós… enfim, ser au pair também nos ajuda a perceber melhor a medida das coisas.

Sobre os 3 meses… eu não posso acreditar! Quando cheguei aqui, a Isabella, uma linda que mora em Amsterdam <3, estava me falando sobre a crise dos 6 meses que ela estava sofrendo, por estar exatamente no meio do programa. Ela disse que era um misto de realização por tudo o que fez no seu primeiro semestre aqui com a sensação de que os próximos 6 meses não seriam o suficiente para fazer tudo, além da antecipação do fim, que seria algo muito ruim. Enfim, passado o primeiro semestre ela já sabia que ela não quer ir embora. Eu estou sentindo algo parecido. Eu sinto que já fiz muito, estou muito feliz, mas ao mesmo tempo estou com medo e me prometendo fazer um melhor planejamento pro meu tempo aqui em 2014: eu quero fazer tanta coisa que tô com medo de que se eu não me programar, eu não vou conseguir realizar. Eu não posso acreditar que eu só tenho mais 9 meses aqui!

Quaaaaase 2 meses!

Hoi!

Amanhã comemora-se 2 meses de Holanda. Que loucura… pensei em diversos posts que eu poderia ter feito aqui durante todo esse tempo, mas basicamente não os escrevi, como vocês podem observar.

No último mês tive diversas conversas em holandês sem falar o idioma, algumas coisas dá pra entender, outras dá pra se virar e concluir. E isso é bem legal, é incrível perceber como a gente se adapta e como a intuição funciona na hora que a gente precisa. Claro, não estou estudando holandês e realmente não to aprendendo por força de um espirito maior, mas a convivência tem me ajudado bastante a reconhecer palavras chaves e afins. Além do mais, todos os diálogos são sempre cômicos e eu acho super divertido.

Falando em idiomas e aprendizado, estou matriculada no Institut Goethe de Amsterdam – muito chique – pra aprender o tal do alemão. Todo mundo me pergunta porque estou estudando alemão e não holandês e essa é uma pergunta bastante natural. A resposta também é bem simples: alemão é mais útil que holandês. Além do mais, o curso do Goethe é o mesmo no mundo inteiro, então começando aqui, eu posso seguir os estudos tranquilamente quando voltar pro Brasil, olha só que beleza. E também, acaba sendo um desculpa perfeita pra eu ir toda semana pra charmosinha Amsterdam.  A turma é toda internacional, tendo apenas 2 nativos dos Países Baixos dentre acho que 10 pessoas… eu não consigo afirmar exatamente quantos somos, porque toda aula falta alguém. Mas nossa comunidade abrange turcos, gregos, ingleses, russos, americanos, filipinos, franceses e eu me responsabilizo por não ser apenas a representante do Brasil-sil-sil, mas também a sul-americana. E a professora é uma egípcia! Ela foi criada numa escola alemã do Cairo, então é bilíngue e passou todas as férias dela no país… e agora é doutoranda em literatura alemã lá na Alemanha, mas mora na Holanda porque o marido estuda aqui. Acho essas histórias tão loucas e interessantes!

Sobre a convivência aqui na casa, o que eu posso comentar é o seguinte: existe o choque cultural e existe o choque de personalidades mesmo. Esse segundo choque acontece em qualquer lugar do mundo e a gente precisa saber lidar. Não é fácil. Tem que ter muito sangue frio, ser ponderado e saber abordar a outra pessoa pra resolver o relacionamento. A fase de adaptação é longa e não tem prazo de validade, infelizmente. Pra alguns dura menos, pra outros dura mais… e nem dá pra saber quanto é esse menos e quanto é esse mais. Mas todos os lados precisam estar dispostos a fazer a engrenagem funcionar, nem que seja no tranco. O foda é que queira ou não, aqui e um trabalho e sabe aqueles problemas que a gente tem com chefe? Imagina dividir a casa com o chefe e o seu trabalho estar dormindo no quarto ao lado. Mas eu sinto que minha fase de adaptação está chegando ao fim, parece que os probleminhas que estavam atrapalhando as coisas a fluírem melhor aqui estão sendo resolvidos e isso me deixa extremamente feliz! As duas primeiras semanas foram lua de mel, as 3 seguintes eu só desejei voltar para o Brasil, mas agora o sentimento que prevalece é a vontade de explorar tudo o que eu tenho à minha volta e aproveitar cada segundo dessa experiência que eu consegui proporcionar pra mim mesma.

É isso, vou tentar ser mais presente, até porque aqui as minhas memórias ficam gravadas.

Eu, Vitória (a outra brasileira que chegou aqui na cidade) e Katha num domingo de sol gelado.

Eu, Vitória (a outra brasileira que chegou aqui na cidade) e Katha num domingo de sol gelado.

Um mês que parece um ano

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Hoje, dia 17 de setembro, comemora-se o primeiro mês de Larinha na Holanda! Posso afirmar que esse foi realmente o mês mais intenso da minha vida. E olha que já tive bastante oportunidades para intensidade.

A intensidade ainda não acabou, verdade, acho que se um dia acabar, não vai ser tão logo, mas agora já estou conseguindo processar e lidar com tudo o que tá rolando comigo desde que cheguei aqui. As duas primeiras semanas foram facílimas, unicamente pelo fato de que eu tinha a ex-au pair me acompanhando em tudo. Depois que ela se foi, eu achei que continuaria dominando tudo direitinho… foi quando eu comecei a sentir dores horríveis no rim(!). Uma coisa não está ligada à outra, mas elas aconteceram ao mesmo tempo e minha terceira semana aqui só teve um pensamento: quero voltar pro Brasil. Pode parecer “fraco”, mas ficar longe da sua família, tentar se adaptar à uma nova rotina, à novas pessoas que serão sua família nesse próximo ano e ficar doente ao mesmo tempo é simplesmente difícil… além disso, o sistema de saúde aqui é bastante diferente da maneira que rola no Brasil e lento, muito lento… muito lento pras dores que eu sentia.

Ficar doente aqui me fez sentir que eu não tava fazendo o que vim fazer aqui, apesar de ter continuado trabalhando normalmente, com exceção da segunda feira de manhã, que foi logo seguinte ao ápice da dor no rim. Eu sentia que estava deixando meus hosts na mão, não estava conseguindo ser eu mesma e agradar as kids e principalmente, eu não tinha ninguém que me compreendesse ao meu lado. Depender de skype e fuso horário pra conseguir que alguém que você ama te conforte é algo bastante chato. Ainda mais quando o toque não é possível.

Minha quarta semana aqui, a semana passada, foi marcada com a aceitação da situação que eu escolhi pra mim. Eu precisei me relembrar diversas vezes o porque estou aqui, o quanto eu quis tudo isso e que eu sempre soube que não seria fácil – só não precisava ser tão difícil. Depois de tudo isso, no meio de tudo isso, eu me peguei sentido saudade de coisas que imaginei que demoraria mais pra sentir… sentir saudade de pegar meus ônibus, de caminhar até o metro, de comer coxinha! Tudo isso aconteceu em tão pouco tempo!

Quando eu imagino que há 20 dias eu estava com a outra au pair aqui ainda, achando que tudo seria tão simples… parece que foi outra vida. E quando eu imagino que há 30 dias eu tocava quem eu mais amo nessa vida pela última vez pelos próximos, no mínimo, 6 meses… eu sinto e imagino que esse um ano já acabou e logo logo eu vou poder tocá-los novamente, mas não! Ainda faltam 11 meses e taaaaaaaanta coisa pra viver, que eu quero viver, que eu já me planejei tanto para viver!

Mesmo com tanta coisa chata, ainda deu tempo pra viver coisas muito boas e que me fizeram muito bem. Estou começando a criar laços, ou pelo menos a me enturmar, com as au pairs da minha cidade, estou confirmando amizades que sempre estiveram presentes e também descobrindo outras novas.

Espero voltar a escrever aqui com maior frequência… esse último mês foi uma montanha russa de emoções, muita coisa me deixou muito abalada e outras tantas coisas me acalmaram e só agora eu estou encontrando o eixo. Acho que logo tudo se acerta e eu vou conseguir contar tudo de bom que tem rolado também.

Depois de quase 2 semanas…

Hoje completam 2 semanas que eu embarquei pra esse ano.

As despedidas foram rápidas, um evento com os amigos, irmãos, namorado; e um abraço, uma conversa, um até logo com cada um dos meus avós durante a semana. No dia do embarque estive com cada um dos meus irmãos, resolvi aquelas coisas que deveriam ser rápidas, por isso a gente acha que dá tempo de fazer no dia do embarque e fui com meus pais pro aeroporto. Chorei quando me despedi da Weedy também, não vou negar nem esconder.

No aeroporto, filas, óbvio. Segundos preciosos e abraços apertados. Embarquei e vim. No voo mal dormi, não pela ansiedade, mas sim porque fazia um calor ridículo no avião… Consegui dar uma descansada, mas cheguei toda torta depois de tão poucas horas dormidas naquelas últimas 48. No controle de passaporte o fiscal até me perguntou se eu precisava de algo, porque, juro, mesmo depois de uma paradinha no banheiro pra me recompor e lavar o rosto eu ainda estava bastante vermelha do calor do avião. Tudo certo, o policial só me perguntou o motivo da minha viagem, me perguntou quanto tempo pretendo ficar no país e carimbou meu visto.

Fui recebida no aeroporto por um hostdad bastante simpático e duas kids que são menores do que eu imaginava (ainda bem!) e bastante receptivas à minha chegada. Em casa, aqui em Baarn, a hostmom nos aguardava com uma espécie de almoço dutch-tropical. Depois de conversarmos fui liberdada para descansar… coisa que fiz durante todo o fim de semana, salvo a manhã de domingo, quando a host me levou para caminhar com as kids num bosque (eles chamam de floresta, mas é bosque) que tem aqui bem perto e almoçarmos. Tudo aqui é lindo e bucólico.

Depois da pizza no domingo à noite, a rotina começou pra valer. Com a ajuda da antiga au pair, que só foi embora ontem, eu fui pegando o jeito das coisas, descobrindo onde fica o quê e também fui apresentada às au pairs daqui da cidade. Não há muito o que contar sobre a rotina… estou me adaptando aos poucos e agora que estou sozinha com as kids, garanto o quanto foi bom ter a antiga au pair aqui nos últimos dias, porque mesmo com a receptividade das kids, sempre há uma resistência, mas a transição foi muito natural e ela me mostrou muito do trato com as crianças. Adorei isso. Agora estou instalada no meu quarto que será meu canto seguro no próximo ano e ainda assim, não dá pra acreditar…

Já fui até Zaandam, Utrecht, Amersfoort e Amsterdam e no próximo final de semana, vou ter a sexta livre também… então acho que está na hora de começar a planejar algo.

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