Segundos semestre são mais difíceis.

Sabe aquele lance do facebook de ele mostrar nossas memórias todos os dias? Pois a partir de todo dia 16 de agosto em diante, ele me lembra de coisas que aconteceram enquanto eu estava na Holanda. E isso é bom, não é?

É.

Mas também não é. E não é só por conta da saudade da cidade delícia onde morei, não é só por conta das amizades incríveis que fiz, ou por conta das viagens que fiz, da cultura que conheci melhor, das comidas que experimentei, da rotina que me foi transformadora…

Talvez quem já me viu falar sobre isso ao vivo, sem o filtro que me permito aqui na internet, saiba ou se lembre de quando falo que estive deprimida numa das fases mais felizes da minha vida. Pois é, agora quem me ler aqui também vai saber.

Poucas coisas se comparam à realização de um sonho, mas a realidade nem sempre é ideal. Eu estava no lugar que queria, fazendo o que queria, passando por um processo tão profundo e importante pra mim, mas também sofri muito por não saber lidar com a situação de estar inserida no seio íntimo de uma família que tinha muitas, mas muitas mesmo, questões a resolver e a convivência com eles foi de desconfortável a não saudável.

É muito complicado manter a sanidade quando uma das pessoas prefere te ignorar, e grita todas as noites com outra pessoa numa língua que você não entende cerca de 90%. Depois de um tempo você começa a suspeitar que pode ser sobre você, você começa a repensar todos os seus atos durante o dia, para ver se identifica algo que poderia justificar tanto descontamento, caso você fosse a causa.

Não foi fácil ser ignorada, não foi fácil ser despachada todas as noites como alguém que não deveria estar ali. Foi muito difícil perceber que a pessoa com quem você está tendo problemas, mesmo sem entender direito o porquê, não queria resolve-los.

Muitos conhecidos não entenderam o que aconteceu pra eu ter voltado depois de 5 meses. O que aconteceu foi que eu fiquei infeliz. E não haviam motivos para eu continuar infeliz. O que aconteceu foi que eu me cansei de pisar em ovos, num lugar onde eu só conseguia relaxar era longe de alguém que era crucial para a minha estadia ali.

4 anos depois dos acontecimentos, eu ainda não consegui concluir o que aconteceu de verdade entre ela e eu. Já debati muito isso com psicólogos e o que eu consigo concluir é que eu me mantive fiel à mim. E talvez quem eu sou não era o que eles queriam ou precisavam e tá tudo bem. Isso não é um problema meu. Eu poderia ter feito alguma coisa diferente? Talvez. Mas se formos encarar tudo com os “e ses” estaremos sempre navegando por hipóteses… e aí como a gente aceita o que aconteceu? E como a gente se cura?

Eu demorei pra aceitar que tenho que abrir mão das reações e dos processos dos outros. Eu só sou humana e não tenho poder sobre isso. Eu posso escolher sempre o que julgo correto e é isso.

Mas os segundos semestres ainda são difícieis, porque é um misto muito maluco de saudade com a reflexão sobre essa situação que vivi, que foi apenas um aspecto de tudo o que passei por lá. É uma vontade doida de voltar, de revisitar alguns lugares, de pedalar por Baarn e seus bosques. De ver e abraçar as crianças que foram tão incríveis comigo enquanto estive lá (e então vem a parte de aceitar que rever as crianças será muito difícil de acontecer).

Os segundos semestres são mais difícies, mas eu não posso, nem devo, usar esse aspecto como a única medida para avaliar o sucesso da minha ida para a Holanda. Não me arrependo de 1 único segundo que estive lá.

 

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