Posts atrasados: O trem de Venlo para Möchengladbach

Considero os deslocamentos tão importantes quanto as cidades que visito. Sei lá. Viajar é se deslocar, não sei explicar… pra mim, eles são importantes então quero contar.

São detalhes bacanas, como na mudança de trem pra Venlo para o trem que levava pra Möchengladbach, a estação estava LOTADA, literalmente centenas de pessoas na plataforma esperando um trem local (ou seja, ninguém ali tinha lugar marcado), que os levaria da Holanda para a Alemanha há alguns dias do Natal…

Quando o trem chegou foi uma cena digna dos horários de pico no metrô paulistano. Teve empurra-empurra, teve uma correriazinha (e tudo isso com pessoas carregando malas, algumas enormes) e teve corredores LOTADOS por pessoas em pé. Eu consegui sentar, usei minhas manhas dignas do metrô de SP e lindamente sentei com o trem já meio lotado enquanto os gringo tudo panguava.

Pois bem. O trem local estava igual a CPTM, mas era articulado… eram metros e metros e metros e vagões e vagões e vagões de pessoas se deslocando com malas, marmitas, casacos e colegas; entre um país e outro. Ele ficou parado pelo menos 10 minutos na estação, com as portas abertas, permitindo que quem quisesse se aventurar, pudesse.

Eis que então, uma das extremidades do trem começa a rir, GARGALHAR. Minha sessão do trem, não tão longe daquela extremidade não entendia nada e todos se esticavam para olhar ao redor e entender o que estava acontecendo. Conforme os segundos iam passando, as gargalhadas se aproximavam, como uma onda, do meu vagão, naquele trem articulado. Foi quando percebemos que o motivo das risadas estava do lado de fora, onde um casal com suas malas procurava uma porta onde pudesse se espremer dentro do trem. O detalhe? Eles andavam cada um com UM SÃO BERNARDO em coleiras. Era simplesmente risível o fato de que duas pessoas queriam entrar num trem abarrotado com dois cachorros extremamente enormes.

Eu não sei dizer exatamente qual tipo de humor nos arrematou naquele momento, mas era muito absurdo observar de dentro do trem o casal com olhares atentos, percorrendo a extensão do trem e estudando onde encaixariam suas malas e seus cães gigantescos. Conforme eles caminhavam pela plataforma, o riso se espalhava pelo trem e quem já tinha começado a rir, não conseguia parar ao ouvir os outros começando a rir também. Logo, praticamente o trem inteiro estava rindo.

Quando as portas finalmente se fecharam e o trem começou a se mover, o sentido do riso se inverteu, como o trem seguiu na mesma direção que o casal estava andando, conforme o trem se movia, as pessoas viam que o casal não conseguiu entrar no trem. Estavam com cara de pastel parados na plataforma, vendo o trem se afastar. E os dois cachorros lá, sendo enormes e peludos.

Pode parecer besteira, mas numa manhã repleta de trocas de trens, num frio enorme, numa estação lotada, num trem lotado, foi muito gostoso rir ao lado de todos aqueles desconhecidos. E pelo riso fácil deles, deu pra perceber que foi bom pra eles tbm.

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