Escolhas e consequências.


De todas as formas que imaginei meu final de 2012, nenhuma envolvia o que está acontecendo agora. É, eu sei, vocês já devem estar cansados de me ler falando isso, mas pra mim esse é o gatilho das coisas que passam pela minha cabeça no momento. Meu planejamento para 2012 era outro e foi mais ou menos no meio do ano que eu percebi que as coisas não sairiam como o planejando.

O que fazer, se desesperar? Não! Eu devo admitir que me sinto inclusive orgulhosa do pragmatismo que adotei. Não, isso não quer dizer também que não tenho sofrido bastante com a ansiedade que a incerteza causa, mas quer dizer que eu aprendi a analisar os fatos de uma maneira muito mais “fria”, não deixando que nem a ansiedade e nem o orgulho me atrapalhassem nas minhas decisões.

Quando, no começo do ano, eu imaginava como seriam meu Natal e ano novo, eu pensava em como estaria usando agasalhos, sentindo saudade da minha família e me perguntava se eles ou o Augusto poderiam me visitar nessa época. Mas agora ainda estou aqui no Brasil e ainda estou morrendo de calor.

E isso não é ruim, nem um pouco. Eu tenho certo pra mim que todos os passos que dei até aqui foram corretos. Desistir da família de Den Bosch pode ter parecido loucura para alguns, considerando que até o visto já tinha sido aprovado… mas na boa? Eu acho de verdade que não dá pra fazer nada com dúvidas. Talvez se o processo com eles não tivesse demorado tanto, eu não acabaria tendo as dúvidas que tive. Eles são uma boa família e a baby que já está com mais de 1 ano agora é uma fofura, mas depois de tanto tempo eu percebi que não ia rolar. Eu sou o tipo de pessoa que precisa de muito mais certezas, garantias e informações do que estava recebendo. E existe um limite até onde você pode cobrar uma mudança do outro lado e eles não achavam que não estavam me dando as certezas, garantias e informações que eu queria ou precisava.

Essa decisão atrasou mais ainda a minha ida? Sim. Mas eu não consigo me arrepender disso, não mesmo. Eu vejo como uma mudança de rumo tão óbvia que nem tem como me abalar.

Ficar no Brasil por esse tempo extra também foi bom. Se por um lado eu estou sem trabalhar desde o final de junho, só esperando a tal data do embarque que acabou não ocorrendo até agora, por outro lado eu estou tendo mais tempo pra mim do que nunca. Pode parecer um absurdo, mas trabalhar por 26 meses na Aiupa, por mais gostoso que era o ambiente, foi extremamente pesado pra mim. Eu perdia no mínimo 3 horas por dia no transporte público, não conseguia me alimentar direito, não conseguia manter uma rotina social e até mesmo de exercícios físicos e eu acabei perdendo o foco no que é mais importante na minha vida: eu mesma. Falando assim pode parecer um drama, mas nos últimos 5 meses eu me descobri muito mais do que descobri nos (talvez) últimos 3 anos. E eu estou falando de coisas importantes como a minha saúde. Além de descobrir as razões para algumas coisas que estavam acontecendo comigo, eu também estou tendo tempo de resolver o que precisa ser resolvido.

O embarque para o intercâmbio ainda está planejado como as soon as possible e eu estou bastante curiosa sobre como tudo isso vai se desenhar nesse começo de 2013, mas a verdade é que agora, finalmente, eu me sinto preparada para entrar de cabeça nisso tudo. Com o pé no chão, sabendo o que preciso fazer para cuidar de mim, conhecendo meus limites e sabendo o que realmente espero do tempo que passarei do outro lado do Atlântico.

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