All over again

Há quase quatro anos eu tomei uma atitude que, sinceramente, mudou minha vida. Em Agosto/Setembro de 2006 o time masculino de rugby da Faculdade Cásper Líbero foi fundado e o feminino nasceu junto, comigo correndo sozinha entre aqueles alguns rapazes.

Eu creio que essa história vocês já conhecem e conhecem também aquela de quando, um ano depois daquele treino onde eu era a única garota, o feminino da Cásper esteve em uma etapa do campeonato paulista do interior para jogar o sevens e terminou um dia num espetacular jogo contra o catadão do interior numa partida de union. Nós eramos 16 garotas unidas com a vontade comum de jogar.

No fim de 2007, nós ainda jogamos o Lions, o torneio que todo mundo quer jogar e conseguimos à muito custo formar uma equipe. Já não eramos 16, eramos 6 (sbt feelings) ou 7 com um reforço de mais 3 garotas vindas do interior que estavam com vontade de jogar. Jogamos contra quem já estavamos acostumadas, contra garotas que ainda não conheciamos e inclusive contra os times A e B da Venezuela. O Lions veio para nos ensinar muitas coisas e eu definitivamente as aprendi. Outra herança do torneio foi uma consolidação da minha tendinite no tornozelo direito, resultado de uma inflamação originada lá na Etapa de Jundiaí (do campoeonato paulista do interior).

No começo de 2008 tive que parar de ir aos treinos e começar a tratar a tendinite. E foi uma enorme pena descobrir que o time que tinha nascido de forma espontanea e que tinha tido um pequeno, mas feliz histórico de participações em torneios havia lentamente se desfeito. Durante todo aquele ano as garotas foram abandonando pouco a pouco os treinos, mas algumas ainda guardavam consigo a vontade de jogar. Eu era uma delas.

Quando finalmente as dores do tornozelo tinham parado, surgiu algo maior para me impedir frequentar os campos do Parque Villa-Lobos aos sábados de manhã: um pescoço quebrado. E por mais que o médico tenha me dito que em 6 meses a minha vertebra estaria completamente recuperada, quem é que quebra o pescoço e escapa sem lesões, vai ter a coragem de sair correndo e tackleando as pessoas apenas seis meses depois de tamanho trauma? Eu que não sou. Somado ao medo, veio a corrida final da Faculdade. 2009, assim como 2008 não foram anos de Rugby em prática pra mim.

Com a chegada de 2010, o rugby retornou à minha vida de maneira mais prática, amigas do time antigo passaram esse começo de ano comentando comigo que queriam voltar aos gramados e eu também tinha o desejo, apesar do medo. Eu já sabia também, de algumas garotas que queriam reviver o time e dar início a um novo time feminino de rugby da Cásper.

Num sabado chuvoso no começo de Março algumas garotas apareceram para treinar, 5 delas, do time antigo, se encontraram na beirada do campo do parque, prontas para treinar e era sabido que pelo menos oito estavam no escadão da Gazeta, lá na Paulista, prontas para seguirem para o parque, caso o treino fosse mesmo ocorrer, apesar da chuva. A chuva ganhou. No sábado seguinte, aconteceram algumas falhas de comunicação e aconteceu um treino, mas não um treino propriamente dito.

Eis então que neste último sábado, dia 20 de março, 11 garotas estavam presentes para o retorno oficial do time! E olha, vou dizer aqui que sei ao menos de 4 que acabaram não comparecendo por diversos motivos. Isso é ótimo ou não é? Isso, pra mim, é maravilhoso.

Todas temos muito a aprender agora, passes, tackles, jogadas e principalmente a ser um time. Pra mim, não existe missão maior nos nossos treinos de sábado de manhã, do que aprender a ser um time. Porque o rugby não é nada mais que um jogo de união, um esporte onde todos os jogadores devem ter um interesse comum: manter a posse da bola. Um passe não é feito corretamente se nós não souber onde está o nosso apoio e por isso é tão importante que treino após treino nós devemos aprender a nos comunicar, a nos respeitar e a aperfeiçoar cada vez mais a nossa relação dentro e fora de campo.

Não adianta ser o maior corredor do mundo, ser super forte, ter uma habilidade incrível para passar a boa, se você não aprender a olhar pro lado e ver onde está o seu companheiro de time para que você possa fazer o passe com sucesso. E mais importante, não adianta você ser tudo isso também, se não souber dar o apoio que seu companheiro precisa quando seu time estiver com a bola. É obrigação de todo jogador em campo ter a consciência de que o que faz o jogo acontecer se resume praticamente às seguintes palavras e aos seguintes conceitos: respeito, apoio, unição e comunicação.

E é essa a lição que o time anterior estava aprendendo, ainda, depois de um ano e meio. E é essa a maior lição que eu espero que esse time aprenda um pouco mais rápido que o time anterior. Que algumas já são boas amigas e todas seremos boas amigas, dentro e fora de campo; e que rir é bom, é ótimo, mas o riso sincero da satisfação é mais gostoso. E o companheirismo é peça importante para a garantia dessa satisfação e que nada se conquista satisfatóriamente sem compromisso e seriedade.

Boa sorte pra gente, senhoritas.

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