Baby, i’m rockin’ without you.

Há quem diga por aí que eu tenho mal gosto. Ah que absurdo! Como assim mal gosto? Só porque vejo o que é belo onde não é tão obvio? Definitivamente discordo quando dizem isso aí, que eu tenho mal gosto.
Primeiro, não vou concordar que meu gosto é padronizado. Pensando bem eu posso dizer que ele é sim, não nos padrões da “grande massa”, mas tá cheio de gente que acha o que eu acho bonito por aí. Acho até que dá pra fazer um parentese e dizer que eu acho que não existe mais apenas uma indústria cultural. Não não não, não há somente uma. Existe essa aí que nos consome e atinge diariamente, temos Jovempan, temos Rede Globo, temos UOL e Terra, temos Orkut. Agora vem me dizer que essa massa “indie”, “alternativa” que cresce dia-a-dia não tem a sua própria indústria cultural? São centenas de blogs, foruns, sites de música e cultura, festivais, “baladas“… enfim. Vou concluir logo para não me estender demais, mas o que quero dizer é que nem os mais alternativos estão sozinhos. Eles também estão massificados. Meu gosto está massificado em algum movimento por aí.
O problema é quando meu gosto está sozinho dentro de um grupo onde o processo criativo é importante e a estética é fundamental. Esse ano de 2007 (e que já está acabando!) foi o ano de produção de rádio e Tv. A sala precisava ser dividida em duas turmas, “vamos separar em fundo e frente”, “ok”. E lá estava eu na turma do fundo. Hahaha, soa tão colegial.
Acontece, minha gente, que apesar de eu sentar no fundo eu não penso como a maioria deles e também não gosto do que a maioria gosta. E ainda pra piorar, o fundo é mais colegial do que vocês podem imaginar e menina não faz trabalho com menino. Tão bonito isso de panelinha. A patotinha dos menininhos e a patotinha das menininhas… Acontece, mais uma vez minha gente, que se meu gosto fosse se aproximar do de alguém “dessa turma”, ele se aproximaria do dos meninos. Ou seja, passei um ano produzindo coisas das quais não gosto muito. Ai como dói ser uma sozinha.
O segundo semestre foi pior que o primeiro… porque no primeiro a gente produziu um sitcom e daí pá pum a turma inteira trabalhava junto em Tv. Agora no segundo a coisa dividiu de vez e eu ó, tomei no cu. Ok, não tomei no cu… mas é foda você ter que fazer um trabalho que você não gosta e não acha bonito. E ainda ser avaliado por isso. Vale dizer ainda que no decorrer do ano eu mudei de lugar na sala, fui sentar lá na frente e minha comunicação com as meninas do fundo só existia nas aulas de produção que neste segundo semestre quase não existiram: foram todas práticas.
Eu gosto que me façam pensar, eu quero fazer os outros pensarem, eu gosto de cores, de contraste alto, de luz estourada, de cortes secos, de passagens com continuidade, de planos próximos, de big close, de perfil e eu quero fazer isso nos meus trabalhos.
Nenhum dos meus trabalhos teve isso. Mais do que estéticamente falando (e que é muito importante numa peça audiovisual, convenhamos), eu quero que a mensagem que eu vou passar seja bacana, legal mesmo, que faça pensar. Não quero mais fazer monólogos sobre bebados que não dizem nada de interessante. E eu também não quero mais ter que usar o fundo verde do chromakey como cenário porque ninguém me informa nada e então eu não posso fazer uma das coisas que eu mais gosto de fazer: direção de arte. Não quero ter que colocar mil filtros num video, estragar a gama, não conseguir ajustar o contraste, porque alguém do grupo decidiu que o contraste da luz escura não era legal, porque esse alguém não entendeu que ver só as formas da pessoa era uma escolha estética para passar a mensagem.
Ontem fiz uma dancinha ridícula pra dizer que graças a deus, meu interdiciplinar não vai ser com elas.

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3 comentários sobre “Baby, i’m rockin’ without you.

  1. Ludmila disse:

    “Eu gosto que me façam pensar, eu quero fazer os outros pensarem, eu gosto de cores, de contraste alto, de luz estourada, de cortes secos, de passagens com continuidade, de planos próximos, de big close, de perfil e eu quero fazer isso nos meus trabalhos.
    […] eu quero que a mensagem que eu vou passar seja bacana, legal mesmo, que faça pensar”

    pois eu acho que isso é bom gosto.
    mais ainda, acho que é inteligência.
    =)

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