Tempo… Setembro 15, 2009
Posted by Larissa Menon in Ele, sentimentalismo.Tags: tempo
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Ele não conseguia entender porque depois de tantos anos, sim, anos, ele ainda tinha dúvidas como aquelas.
E lhe veio à mente que na verdade o que o fazia se questionar daquele jeito era exatamente o tempo. O tempo lhe trouxera incertezas que antes pareciam impossiveis.
Quando eles estavam juntos tudo parecia certo e ele se sentia seguro e agora, anos depois, ele se questionava se o que ele via e sentia que ela sentia eram verdade.
- Maldito tempo, afirmou e silenciou olhando pela janela. E ao ver o mundo lá fora ele pôde ver o quanto tudo que ele viveu sem ela havia sido bom e o quanto o tinha feito crescer. E o quanto o fim daquilo que eles tiveram fora responsavel por esse crescimento, e que na verdade ele sabia que jamais teria feito tudo isso se tivesse continuado com ela, apesar de muito do que ele havia feito ser coisas das quais ele falava com ela.
- E importa?, a questão foi levantada em voz alta, para depois concluir silenciosamente que tudo, absolutamente tudo, havia sido ótimo enquanto ele vivia e que neste momento, depois de todos aqueles anos, ele estava completamente satisfeito e feliz.
- E quanto a isso não há dúvidas.
Atitude. Junho 19, 2009
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Pensou sobre aquilo umas 327 vezes apenas na última hora e, claro, estava incerto.
“Cale-se”, disse para si mesmo. No ímpeto agarrou o telefone e discou, mas sequer deixou chamar. Olhou à sua volta…. ninguém (e como poderia ter? Ele estava trancado em seu quarto há horas)!
Discou novamente e dessa vez deixou que tocasse por três vezes. Ouviu um barulho e desligou apressado. Só então ele pensou no quanto seria rude desligar na cara dela. Discou novamente.
Dessa vez ele deixou tocar e tocar e tocar… o suficiente para que a ligação caísse e não, ninguém atendeu do outro lado. Foram dois suspiros. O primeiro de alívio e após uma breve pausa o segundo veio cheio de chateação.
Fitou sua cama com decisão e deitou, ligou o som bem alto e cobriu a cabeça com o travesseiro. Tanto tempo para tomar uma atitude para não ter nem resposta! Tudo tinha que dar errado, incrível!
E então, claro, pegou no sono e esgotado, só acordou tarde da noite. Às onze e quarenta e sete resolveu checar o celular, pensando que já era manhã e que provavelmente havia perdido a hora. No visor aparecia: uma nova mensagem.
“Esperei você ligar, mas nada. Se ainda quiser, cinema amanha?”
Mais uma vez dois suspiros. O primeiro de alívio e o segundo veio carregado de satisfação.
Sem estrelas, a grama estava molhada. Dezembro 26, 2008
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Ele deitou. Cansado, deitou.
Fechou os olhos, respirou fundo e mentalizou um lindo e sonoro “foda-se”. Abriu os olhos e encarou o céu sem estrelas, enquanto via as nuvens carregadas, reparava que a grama estava encharcada o suficiente para molhar seu casaco e sua camiseta. E lá veio outra fechada de olhos, outra respiração funda e outra mentalização do tão freqüente “foda-se”.
E daí que ele estava a alguns metros da casa e todo mundo poderia vê-lo da varanda? Não era como se ele se importasse, não era como se eles se importassem também.
Ele focou o céu, procurou uma nuvem e deixou seus pensamentos irem para onde quisessem, o foco se foi. Achou melhor manter os olhos fechados e prestar atenção naquilo que acontecia em sua cabeça.
Ele conhecia sua confusão, ela estava ali há algum tempo já. Tempo não o suficiente para encontrar alguma solução… Ele deixava o tempo passar, mas o tempo não estava resolvendo as coisas por si só, ele teria que agir e não sabia pra qual lado correr.
O lado que mais o interessava não gritava por seu nome, ele queria ouvir um chamado, o sinal de que essa escolha era aposta garantida, aposta ganha, sucesso. Ele queria tanto escolher aquele lado do jeito que estava, de olhos fechados e sem medo. Mas o sinal não vinha. Ele queria desistir, mas esperou tanto pelo tal sinal que não sabia se simplesmente valeria a pena virar as costas e escolher o outro lado. “Porque, afinal, e se o sinal estivesse por vir, ali: quase vindo e só não veio porque me precipitei?”.
Ele desistiu. Desistiu de pensar naquilo naquela hora. Suas costas estavam molhadas o suficiente para começar a sentir frio. E no fundo (e praticamente na superfície) ele sabia que não desistiria de esperar por ouvir seu nome, vindo de onde ele queria que viesse. Abriu os olhos, suspirou, levantou e sorriu. Sem “foda-se”s, afinal… ele se importava. E muito.
“Últimas novidades” Dezembro 12, 2008
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“As pessoas são mesmo substituíveis” – Ele pensou após re-analisar e reavaliar toda a situação pela talvez oitava vez.
O sufoco se foi, a agonia também, mas a confusão mental que se traduz em embrulhos no estômago ainda está presente. Quando ele descobriu as “últimas novidades” ele perdeu o fôlego e não sabia que tal reação ainda fosse possível. Ele acreditava que as escolhas que tinha feito foram feitas porque ele queria… Agora ele já não tinha tanta certeza.
O que ele também não entendia era o porquê dessa substituição. Por que ela foi procurar em outra pessoa tudo aquilo que ele poderia oferecer a ela? Ele estava ali, pronto para ela, e ele estava ali há tanto tempo…
Ele re-analisou e reavaliou toda a situação por mais algumas infinitas vezes durante aquele dia e ele sempre concluía que ele era substituível, mas o que ele queria mesmo entender era o porquê d’ele ser substituível. As horas passaram sem que ele visse enquanto seu foco era ela.
No fim da noite ele ainda questionou se deixou de dizer ou fazer algo que a fizesse ir procurar em outros braços todo o amor que ele queria dar a ela. E então dormiu. Dormiu longas nove horas… Sem sonhos. O descanso era merecido.
No outro dia ele sequer se lembrou dela, e não foi como se ele estivesse muito ocupado para pensar nisso. Ele simplesmente não o fez.
Quando ela soube que uma amiga havia contado a ele sobre suas “últimas novidades”, ela sentiu um incomodo por ele não tê-la procurado… pra nada. “As pessoas são mesmo substituíveis” ela concluiu rapidamente.
E no fim de outra noite ele deitou a cabeça em seu travesseiro e teve a certeza que as escolhas que ele fez foram feitas porque ele queria.
Eu preciso é de um laço. Setembro 17, 2008
Posted by Larissa Menon in Ele, sentimentalismo.5 comments
Eu não preciso de um empurrão. Não, eu preciso é de alguém que esteja do meu lado e me estenda a mão. Não para me puxar, eu nao preciso ser puxado. Eu queria alguém para caminhar ao meu lado laçado comigo.
Ela me olha e diz que está tudo bem. Está mesmo? Ela ainda sorri pelos dias que passaram, pelos momentos felizes que tivemos. Eu olho pra ela, eu sorrio de volta, eu fumo meu cigarro. Ela me acha tão legal.
Somos tão modernos. Jovens, bem empregados. Ela me dá um beijo e comenta sobre um cliente. Eu olho pra ela, eu a vejo sorrir, eu penso nisso tudo.
Ela segura minha mão. Ela caminha ao meu lado, laçada comigo? Não. Eu não consigo entender, não consigo encontrar o porquê disso tudo. Que porra é essa afinal?
Eu a tenho dentro de mim, eu a tenho fora de mim. Há momentos em que me sinto satisfeito. Mas eu não quero mais pensar nisso tudo, analisar e ver o quanto eu tenho.
Se fosse bom de verdade eu já saberia disso por si só, apenas por viver, apenas por ter, sem pensar. Não é?
Eu seguro a mão dela, eu apago o cigarro. Eu a beijo. Ela me olha e sorri. Ela encosta a cabeça em meu peito e me diz que tudo ficará bem. Ela tem planos, eu tenho planos. Seriam eles os mesmos?
Eu não preciso de um empurrão, não. Eu preciso é de alguém que esteja do meu lado e me estenda a mão. Não para me puxar, eu nao preciso ser puxado. Eu queria alguém para caminhar ao meu lado laçado comigo.
