Posts atrasados: planejamento da viagem de fim de ano.

Aproveitando que atualizei a página de Viajando Barato aqui no blog, com dicas de sites para encontrar e comprar passagens (de ônibus, trem e avião) e reservar hostel, vou começar os trabalhos finalmente sobre a viagem de fim de ano.

Antes de tudo o planejamento!

A ideia era simples: eu teria duas semanas para viajar no final do ano. Seria de um sábado, dia 21 de dezembro até um domingo, dia 05 de janeiro. Na verdade eu estava livre para zarpar à partir das 19:00 horas da sexta, dia 20, mas aí já seria desespero demais hahaha, então acabei estabelecendo essas datas mesmo. O que eu queria, claro, era aproveitar as férias ao máximo e depois de ter estabelecido o tempo de viagem, veio a grande questão: o destino.

Eu já tinha tido a oportunidade em outras visitas à Europa de conhecer capitais e outros destinos turísticos de Portugal, Espanha, França, Alemanha, Áustria e Itália. Também fui pra Londres, Glasgow e Edimburgo nas férias de outono, em outubro de 2013… Quando chegou a hora de escolher o destino das férias de fim de ano, eu decidi que queria passar um natal gelado. Muitas meninas aproveitam para ir para destinos com temperaturas mais amenas, mas considerando que eu sou brasileira e todo natal aqui é quente e ensolarado, aquela era uma ótima oportunidade para passar um natal com cara de natal… ou sei lá, um natal que justifica um Papai Noel com roupa de inverno.

Comecei a pesquisar preços e locomoção para a Escandinávia, meu destino de desejo maior até hoje, porque assim que comecei houve duas coisas que me desencorajaram a perseguir esse destino: os preços estavam completamente fora da minha realidade (eu teria que fazer um aperto forte e um malabarismo financeiro bem danado) e conversando com pessoas que entendem de frio, ir para um lugar assim quando está tão frio, numa época onde todos ficam em casa e celebram as festas de fim de ano em família, eu não veria nem faria muito. O clima melancólico tinha um forte potencial. Então a ideia de passar por Copenhague, Bergen, Oslo, Estocolmo e Helsinki não foi pra frente.

Depois de desistir da Escandinávia, virei-me para outro canto que já tinha passado perto, mas não tinha explorado propriamente: Europa Oriental. Quer dizer, eu acho que no final das contas foi uma Europa semi-Oriental a que visitei, mas mesmo assim. Conversando com algumas meninas e explorando bastante o mapa do continente escolhi que passaria por Praga, Budapeste, Viena e Munique. Como teria tempo resolvi incluir Colônia também na lista.

Vale lembrar que quando fiz esse planejamento eu ainda não sabia que voltaria pro Brasil, talvez se soubesse teria incluído um destino diferente de Colônia, ou até mesmo teria dado uma passadinha em Berlim pra ver a Raquel.

Decidido os destinos, comecei a pesquisar preços e preços e preços. Juro que fiquei mais de uma semana olhando e comparando todas as opções de meio de transporte que eu tinha. Quando eu finalmente tinha estabelecido tudo e fui comprar. Os preços tinham subido muito e foi aí que eu resolvi ver se caso eu invertesse a ordem das cidades, eu conseguiria um preço melhor. E sim! Da primeira vez eu iria primeiro para Praga num trem noturno saindo de Utrecht. De lá iria de trem para Budapeste, que de trem seguiria para Viena, seguindo novamente por trilhos até Munique, de onde um trem me levaria pra Colônia. No meu último destino, embarcaria num trem que me levaria novamente pra Utrecht. Todo o trajeto seria de trem e fácil, porém com a subida de valores inverti tudo e mudei alguns trens por ônibus.

A ordem passou a ser: Baarn > Colônia (trem); Colônia > Munique (ônibus); Munique > Viena (trem); Viena > Budapeste (trem); Budapeste > Praga (ônibus); e por fim, Praga > Baarn (trem)

Parte 1: De Baarn para Colônia
No dia 21 de janeiro, peguei um trem às 08:21 em Baarn e cheguei em Colônia cerca de 5 horas depois, após trocar de trem em Utrecht, Eindhoven, Venlo (na Holanda) e Mönchengladbach na Alemanha. Valeu a pena? Eu gosto de acreditar que sim. O trem direto custava mais de 40 euros, eu peguei 5 trens e paguei menos de 30. Além disso, toda essa troca de trens foi bastante aventurosa hahaha.

Fiquei em Colônia por 2 noites e me hospedei no Weltempfänger Backpacker Hostel, que é bem fácil de chegar (fica na cara do metrô) e você leva 10 minutos caminhando até o centro.

Colônia - Köln - Cologne

Colônia – Köln – Cologne

Parte 2: De Colônia para Munique
No dia 23 de dezembro, lá estava eu às 7:00 da manhã no ponto de saída do ônibus para segui viagem primeiro até Frankfurt e depois até Munique. O ônibus sairia de Colônia às 7:45 e eu chegaria em Munique às 19:00. Seriam cerca de 10 horas de ônibus. Valeu a pena? Bom, eu paguei cerca de 40 euros na passagem. Comparado ao preço do avião e do trem, foi um valor bem inferior e apesar de eu não ter conseguido um ônibus para viajar durante a madrugada, foi bom porque eu estava com uma febre horrorosa e eu pude ficar o dia inteiro quietinha, quentinha, cochilandinho.

Em Munique fiquei hospedada num hostel super próximo do centro e da estação central da cidade, tipo ficava na rua em frente a estação: sucesso. Sem falar que o Wombats City Hostel Munich tem uma estrutura bem grande e com ótimas áreas de convivência, café da manhã gostoso e quartos muito bons!

Munique - München - Munich

Munique – München – Munich

Parte 3: De Munique para Viena
A viagem de trem entre Munique e Viena não é longa, demora cerca de 4 horas. Isso quer dizer que um trem noturno não compensa e considerando que o dia clareia às 9 da manhã praticamente e às 4 da tarde já está quase escuro de novo, o legal seria viajar enquanto havia luz no dia. Saí de Munique às 13:30 do dia 26 de dezembro e cheguei em Viena no fim da tarde. Valeu à pena? Sim! O preço foi bom (60 euros) num trajeto que o ônibus demoraria muito mais e não estava tão mais barato. Sem falar que o trem que faz esse percurso direto (apenas uma parada de 6 minutos em Salzburg) é mega confortável, compensa bastante. Você viaja tranquilo.

Em Viena fiquei no Hostel Ruthensteiner, um hostel legal, bem próximo do metrô e da estação central da cidade, além de ser a só uns 20 minutos de caminhada do Palácio de Schönbrunn. O preço estava ótimo, mas talvez por um pouquinho mais eu tivesse ficado num melhor.

Viena - Wien - Vienna

Viena – Wien – Vienna

Parte 4: De Viena para Budapeste
De trem, Viena e Budapeste ficam à um pulo de distância. Não demora nem três horas e foi isso o que eu fiz. No dia 29 de dezembro peguei um trem às 19:00 na Hauptbahnhof de Viena e antes das 22 já estava lá em Budapeste! Se valeu à pena? Nossa, demais! O preço foi ótimo: 29 euros. E a estação de trem de Budapeste é muito mais acessível que o terminal de ônibus. Eu poderia ter ido andando (daria uns 20 minutos) da estação central de Budapeste para o Hostel, mas pelo horário escolhi pegar o metrô e rapidinho cheguei lá, mesmo tendo me perdido um pouco depois de sair da metrô hehehe.

O hostel Casa de la Musica era bem legal, conheci pessoas ótimas, a segurança boa e os banheiros eram bem legais. Mas minha amiga pegou bedbugs (e eu não, apesar de estarmos na mesma beliche).

Budapeste - Budapest - Budapest

Budapeste – Budapest – Budapest

Parte 5: De Budapeste para Praga
Esse foi o pior trecho da viagem. Fui de ônibus e as estradas são bem esburacadas e eu passei a viagem inteira tremendo e balançando hahaha. Sem falar de que no meio do caminho o ônibus parou, o motorista falou algo, todo mundo desceu e trocou de ônibus, até aí tudo bem, o problema é que tudo isso aconteceu num idioma que eu não falo nem reconheço (e eu até agora não sei se foi em tcheco ou húngaro, ou se foi até mesmo em eslovaco hahaha – até porque eu não sei em que país eu tava nessa hora). Segui o povo e antes de entrar no outro ônibus eu mostrei a passagem pro motorista que me indicou positivamente para entrar no ônibus. Sei lá, só sei que cheguei em Praga hahaha. Valeu à pena? Eu acho que sim. O preço na passagem está em HUF, florins húngaros, e eu acho que foi barato sim, foram 6500 HUF para uma viagem de 7 horas. Eu me lembro que minha amiga que foi comigo para Praga estava sem passagem e fomos juntas até a estação de trem comprar uma passagem pra ela. Ela pagou acho que 40 euros e eu fiquei morrendo de inveja pra ir com ela de trem. Mas né? Não ia desperdiçar uma passagem de ônibus comprada com antecedência. (olhei no google, hoje 6500 Hungarian forints = 20.6130549 Euros, que em reais dá 62 reais)… é valeu à pena sim.

Em Praga eu fiquei no Fusion Prague Hotel (eles são chiques e não se chamam de hostel). A localização é uma maravilha: são 2 quarteirões da estação de trem central da cidade, são uns 7 quarteirões da Autobusové nádraží Praha Florenc, o terminal de ônibus internacionais e à caminhadas tranquilas de tudo o que você quer ver em Praga. Sério! Sem falar que os quartos são ótimos, enormes, camas gostosas, banheiro com um chuveiro delicioso e tudo super novo. Recomendo muito forte.

Praga - Praha - Prague

Praga – Praha – Prague

Parte 6: De Praga para Amsterdam
Enquanto eu viajava, minha volta para o Brasil tinha sido acertada para o dia 06 de janeiro, o dia imediatamente após minha volta à Holanda, e como eu já tinha deixado tudo praticamente pronto lá em Baarn e meu voo sairia as 8:00 da manhã de Schiphol, meus hosts acharam melhor reservar um hotel para mim já no aeroporto para facilitar a minha movimentação final. Por isso acabei não voltando exatamente para Baarn, mas sim para Amsterdam.

Minha passagem era entre Praga e Utrecht, apesar de o trem seguir sim para a Amsterdam Centraal. No final do meu último dia de viagem propriamente viajando, peguei minha malinha e segui a pé do hostel para a estação central de Praga. Lá, às 18:30 do dia 4 de janeiro, peguei o trem noturno que me levaria de volta para a Holanda. Antes da meia noite já estávamos parados na Berlim Ostbahnhof e me deu um aperto enorme no coração estar tão próxima à Raquel e não poder vê-la. Depois de uma parada de cerca de meia hora na capital Alemã, o trem seguiu viagem e após inúmeras paradas que mal percebi pois dormia, o trem chegou na Holanda por volta das 7:00 da manhã do dia 05 de janeiro. Depois de uma parada não muito gostosa para verificação de passaporte/documentação seguimos viagem e finalmente o trem parou em Utrecht. Como já havia tido uma verificação de passagens junto com os passaportes e o destino final mesmo era Amsterdam, eu até poderia ter continuado no trem porque dificilmente alguém viria verificar novamente as passagens, mas como sou chatinha/medrosa para essas coisas, escolhi descer do trem e pegar um intercity mesmo até Amsterdam.

 

Amsterdão - Amsterdam - Amsterdam

Amsterdão – Amsterdam – Amsterdam

Todas as fotos do post foram tiradas por/pertencentes a mim.

Viajando com pouco ou meninas mochilando no frio.

Depois de procurar e assistir uma infinidade de vídeos sobre fazer malas no youtube o que eu descobri foi o que eu já sabia: a grande maioria das meninas não sabe fazer malas quando o assunto é carregar pouca coisa. Procurando vídeos de mochileiros então, só via dicas para homens (completamente adaptáveis para moças, mas nada realmente feito e dirigido para o público feminino).

E o que a gente vê online é muito do que a gente vê ao vivo. Não é difícil ver meninas viajando com malas enormes e as arrastando por ruas de paralelepípedo, sofrendo para subi-las em trens e pagando taxas para despachá-las ao viajar com cias low-fare. E o que sai de dentro delas dentro dos quartos de hostels são diversos modelos de calças, blusas para todas as ocasiões, pelo menos 3 opções de casacos, uma infinidade de acessórios, além de produtos de higiene pessoal em tamanho real e chapinha/secador de cabelo.

A mochila amiga de anos

Nesse post vou mostrar a mala que levei para minha viagem de fim de ano no meu ano de au pair. Foi um longo exercício de analisar tudo o que já tinha levado em outras viagens e não tinha utilizado. Eu tive uma vantagem pois meu deslocamento foi todo terrestre, isso me ajudou a não ter um limite obrigatório de peso e medidas da mala, mas eu também não queria ficar carregando minha mochila feito uma condenada por aí, então eu tentei manter tudo o mais compacto possível. Seriam 16 dias fora de casa, partindo no dia 21 de dezembro (saí de casa às 07:30 da manhã) e só chegando de volta na Holanda no dia 05 de janeiro.

A primeira dica que vou dar é: inclua a roupa que você vai usar quando sair para viajar já na conta do que vai “na mala”. Isso quer dizer que quando você estiver planejando o que levar, já programar que uma das calças/camisetas/casacos que você quer levar já estarão em uso. Isso é bem óbvio, mas é fácil de esquecer e evita que a gente leve peso morto. Outra dica é: saiba que viagem você quer fazer: se você gosta da vida noturna, ao invés de levar camisetas pro dia-a-dia e roupa de balada propriamente dita, eu sugeriria você levar roupas mais bonitas, intermediárias entre balada e dia-a-dia. Assim você pode usá-las tanto à noite quanto de dia. Isso também ajuda a não levar o dobro de bagagem.

Se você for como eu e quando viaja é do tipo diurno, que acorda relativamente cedo, come bem e sai para explorar e daí às 23:00 já tá pronta para ligar um vídeo no computador e dormir… ou se é como eu também que se sai não se importa de fazê-lo de calça jeans e camiseta, melhor ainda, as dicas que darei são pra você.

Luva, cachecol, casaco grosso, duas camadas por baixo, bota quentinha... <3

Luva, cachecol, casaco grosso, duas camadas por baixo, bota quentinha… Em Viena :)

Viajar no inverno europeu, ainda mais quando você vai cobrir uma longa distância significa que na verdade você vai encarar “diversos invernos”. Afinal, o inverno na Holanda é diferente do da Austria, que é diferente do Tcheco, que é diferente do Reino Unido… enfim. Mas a dica que serve em todos os casos é: você precisa se manter aquecida. Luvas, toucas, cachecóis e uma bota quentinha e impermeável são indispensáveis. É isso que você precisa pôr na lista, na mala, na cabeça e principalmente no corpo. Mas apesar do plural usado ali atrás leve apenas uma touca (se seu casaco já não tiver capuz), um par de botas (e esse par precisa ser extremamente confortável) e dois pares de luvas, porque a possibilidade de perder uma peça ou o par inteiro é real.

A próxima parte do vestuário são as roupas propriamente ditas: Se você já estiver acostumada ao frio, você pode viajar só de calça jeans, não tem problema, mas eu recomendo você levar também um par de calças térmicas ou de lã para usar por baixo da jeans. No caso, recomendo levar duas calças jeans (uma no corpo e outra na mala, isso se a viagem for longa, senão é só uma mesmo). Camisetas, depende do número de dias que a viagem durará… mas se for duas semanas, 14 dias, leve 1 camiseta no corpo e mais 6 na mala. Isso quer dizer que você usará cada camiseta por dois dias. Eu sei, mas no frio eu prometo que elas vão estar boas para usar por dois dias. Sutiã cada menina tem uma regra, mas não levem mais do que três, porquê né gente? Calcinhas, se você não vai ter tempo de lavar pode levar o número exato. Calcinha hoje em dia não ocupa muito espaço e higiene em primeiro lugar! Meias seguem praticamente a mesma ideia. Só não me leve nenhum desses itens à mais do número de dias da viagem, que aí não faz sentido… mas sério, calcinha e meia vai do feeling.

Camisetas, calças, calcinhas, meias, luvas, cachecol, touca, bota… está quase terminando a parte de vestuário. Além disso tudo leve também duas malhas ou moletons mais finos pra usar entre a camiseta e o casaco grosso. E por último vem o casaco: leve apenas um casaco grosso (eu levei dois e no fim usei o outro apenas porque já tinha levado, se tivesse deixado em casa teria sido melhor). Você vai perceber que no inverno ninguém troca de casaco. É sério, as pessoas dão sim, claro, uma variada, mas é pouco… todo mundo tem aquele casaco “de bater” e durante uma viagem ninguém vai reparar que você tá com o mesmo todo dia e o segredo é: compre casacos que não mostrem sujeira. A probabilidade de você ter que comprar um casaco na Europa é enorme. Os casacos do Brasil, por mais quentinhos que sejam, não costumam ser apropriados pro frio de lá e construir várias camadas principalmente durante uma viagem, não é muito recomendado. Então compre um casaco escuro e você o usará por muito tempo sem precisar lavá-lo.

Sobre as camadas: construir camada de camiseta, malha, moletom e casaco até parece uma boa ideia, não é mesmo? Mas na verdade não é prática. Enquanto as ruas são muito frias, geladas até, todos os lugares em que você entrar terão aquecedor e descascar todas essas camadas dá muito trabalho e você vai ficar com um monte de roupa na mão… O ideal é que você use uma camiseta, uma malha e um casaco realmente grosso e quentinho. Assim quando você entrar nos lugares só vai precisar tirar o casaco. Por isso outra dica é: além de comprar um casaco escuro, compre o casaco escuro mais quentinho que você conseguir encontrar.

Maquiagem e produtos de higiene: leve um hidratante de corpo (numa embalagem menor), um hidratante facial (muito importante!), mini shampoo, condicionador e sabonete líquido. Desodorante, escova de dentes, fio dental e pasta de dentes e toalha. Lápis de olho, blush, rímel, protetor labial e um perfuminho (se tiver amostra grátis, melhor ainda). É disso o que você precisa. Em diversos lugares é possível comprar embalagens com tamanho certo para viajar… você só precisa transferir os produtos para essas embalagens e pronto! E sim, o que cabe ali é exatamente o que você precisa. A maquiagem não precisa ser super produzida. E a toalha pode ser daquelas de natação/esportes ou apenas uma toalha de cabelo… daí você faz sua mágica.

A dica mais importante que posso dar é: A nossa cabeça precisa se adaptar à viagem que vamos fazer, mais do que a mala.

Agora listarei exatamente o que tinha na minha mochila durante minha viagem de 16 dias por Colônia e Munique (Alemanha), Viena (Áustria), Budapeste (Hungría) e Praga (República Tcheca):

2 pares de luva;
2 cachecóis;
2 calças de lã pra usar por baixo da jeans;
2 calças jeans;
2 moletons finos;
1 blusa de malha;
2 casacos grossos;
7 camisetas;
15 calcinhas;
2 sutiãs/tops;
10 pares de meia;
1 toalha de esportes;
1 minikit de viagens com shampoo, sabonete líquido e condicionador;
1 jogo de escova, pasta e fio dental pra viagens;
1 hidratante de corpo e rosto;
1 blush/rímel/protetor labial;
1 bota para neve;
1 descanso de pescoço.

O que foi na mochila, faltando acessórios...

O que foi na mochila, faltando acessórios…

Além da observação que já fiz sobre o casaco grosso – leve só um – vou dar a dica da toalha que comprei na Primark por 4 euros e é ótima! Vou dar também a dica da bota que comprei numa loja da Crocs, é super confortável, não pesa nada, macia, forradinha por dentro, é impermeável e é pra neve. Eu a usava com meias normais fininhas de algodão e meu pé ficava super quentinho. É melhor você investir num calçado mais quentinho do que comprar um não tão reforçado e ter que usar meias muito grossas… às vezes elas escorregam no nosso pé e a gente acaba fazendo bolhas… e ninguém quer isso.

Bota para neve da Crocs.

Bota para neve da Crocs.

Por último, entre mala de rodinhas e mochila, acredite: a mochila é muito mais prática. Ela normalmente cabe em espaços mais apertados e distribui o peso de forma igual nas costas, enquanto a gente precisa revezar os braços para arrastar a mala e nas ruas que a gente enfrenta por aí, juro. Mochila é o ideal.

Espero ter ajudado para quando a hora de fazer as malas chegar pra vocês também!

Posts atrasados: Münster

Antes de escrever finalmente sobre a viagem de fim de ano, preciso contar que a partir do final de Novembro começam a surgir os “mercados de natal” por todos os lados. Em Amsterdam tem, em outros lugares da Holanda também – Baarn não tinha, claro haha – mas o lugar onde eles bombam de verdade é na Alemanha. Eles são uma tradição antiga e esses mercados são basicamente barraquinhas com comidas tradicionais, chocolate quente (warme chocolademelk em holandês), vinho quente (glühwein em holandês/alemão) e outras barraquinhas com artesanato e afins.

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Os mercados alemães, que são conhecidos como Weihnachtsmarkt (e incrivelmente em holandês é mais fácil – “Kerstmarkt” e papai noel é “Kerstman” (homem do natal)). E eles são tão famosos que empresas de ônibus vendem “pacotes” para visitar alguma cidade no oeste alemão. O preço compensa, você passa o dia numa cidade em outro país, que normalmente é linda, visita um ou outros mercados de natal e volta pra dormir em casa. Dá pra imaginar?

Conversei com as meninas de Baarn e escolhemos conhecer Münster. A escolhemos pela distância/tempo de viagem e pelo fato de a cidade ter nada menos do que 5 Weihnachtsmärkte! O preço também ajudou na escolha. A viagem saiu por 22 euros. Fomos a Doreth, a Alana e eu, e a gente foi pela empresa de ônibus Connexxion, mas eu acho que existem outras também. E a empresa nacional de trens holandeses, a NS também disponibiliza esse tipo de “serviço” nessa época do ano.

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Como obviamente não saia ônibus de Baarn a gente escolheu sair também de Amersfoort, a maior cidade mais próxima da gente. Como o ponto de saída parecia ser no fim do mundo e o horário era super cedo e o trem que fazia o caminho Baarn – Amersfoort não estaria funcionando normalmente naquele dia, a gente marcou de se encontrar as 6:30 da manhã na estação de Baarn, que era um ponto central pra todas e ir pedalando até lá. Pelos nossos cálculos seria mais ou menos uma hora de pedalada, uns 17kms. Para nossa sorte, quando chegamos na estação o trem estava passando e conseguimos levar nossas bicis até Amersfoort de trem! De lá nos informamos com pessoas queridas e saímos pedalando loucamente. Depois de cerca de meia hora pedalando e se perdendo, encontramos o local e conseguimos pegar o ônibus calmamente, como se nada tivesse acontecido. A volta foi mais ou menos o mesmo esquema hahaha.

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Münster é uma cidade bem antiga e universitária, então ela não épropriamente pequena. O seu “centro” como toda cidade menor na Europa não é difícil de percorrer e é simplesmente encantador. Eu sentia vontade de abraçar os pedregulhos das ruas, as vigas dos prédios, tudo. O dia estava úmido e bem gelado, mas as ruas estavam cheias de gente, os cinco mercados que visitamos estavam lotados e em todos experimentamos alguma coisinha de comer.

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Tomamos o chocolate quente, em alemão heiße Schokolade, tomamos o glühwein que é tão gostoso quanto o nosso vinho quente, mas ao mesmo tempo é diferente, não sei explicar hahaha. As meninas arriscaram tomar uma bebida que parecia uma Eggnog, mas eu não tive coragem, e aparentemente me dei bem, porque elas odiaram e não conseguiram sequer terminar suas canequinhas.

Por falar em canequinhas, lá as canecas são personalizadas – cada lugar tinha um tipo de caneca e todas tinham uma marcação dizendo de qual cidade e o ano que elas eram. Pelo o que a gente entendeu, o líquido custava normalmente e em média 3 euros, mas quando você fazia o pedido eles te cobravam 5 euros. Essa diferença de preço estava na caneca. Se você devolve a caneca, eles te devolvem 2 euros; se você ficar com a caneca, eles não te devolvem nada. Pelo o que a gente entendeu era isso, a gente até perguntou numa na primeira barraca pra confirmar… se não era isso, bom, roubei 3 canecas hahahah.

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A oportunidade também foi ótima para eu treinar meu alemão. Sendo a Alana canadense e a Doreth sul-africana, ficava à cargo da brasileira metida a estudante de alemão compras as comidas, perguntar preços e outras coisas. Foi bem legal! Sempre que eu saio do país, falar inglês é praxe e natural, o portunhol eu também arrisco e me viro (já que espanhol não entra nessa cabeça minha), mas depois de passar meses sofrendo lá na aula de alemão, eu finalmente conseguir me comunicar e nossa, foi bem legal!

Num dos mercados tinha um homem acho que cortando madeira e cantando… era uma barraca que chamava muita atenção e adivinhem a bandeira que estava lá? Sim! Uma bandeira do Brasil! Foi divertido… tem brasileiro em todos os cantos desse mundo louco mesmo, né?

É, foi divertido.

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De volta à programação com uma pausa para uma novidade:

Bom, final de agosto e acho que é hora de pôr a conversa em dia.

Eu prometo que vou contar tudo sobre o fim da Holanda e tal. (ME COBREM!) Mas antes tenho novidades mais quentes pra compartilhar :D.

Quando eu voltei da Holanda eu estava morrendo de saudades do meu namorado, o Augusto, vocês já conhecem… e no dia que eu cheguei em São Paulo, ele também chegou pra um bate-volta de boas-vindas! Logo depois ele veio melhor programado e como de costume passou as férias comigo. Fomos pro Rio, ficamos de preguicinha em SP. Aquela coisa gostosa. Logo depois, foi a minha vez de passar algum tempo com ele em Brasília.

Sabe o que é? A volta da Holanda, por mais que tenha sido pensada, decidida, digerida e tudo o mais, ainda assim foi muito rápida, e eu pude me dar o tempo que precisei pra “me recuperar”. Eu acho, conversando com outras ex-au pairs, que essa é uma sensação que todas sentimos, a volta é sempre “abrupta”. Mas eu também acho que quando você termina o seu ano, você tem um processo de assimilação um pouco diferente, aquela coisa de dever cumprido, meta batida, vida que segue. Muitas meninas voltam da Holanda e já estão prontas para partir pra outra, mesmo tendo passado os últimos dias lá nos Países Baixos rezando pras horas passarem mais lentamente e elas terem mais tempo por lá.

Estou falando tudo isso porque o meu tempo de assimilação do meu retorno foi maior do que de costume, mas também isso me possibilitou um tempo maior com o Augusto.

Eu sempre pensei mais ou menos que quando eu voltasse do intercâmbio, a gente, o Augusto e eu, iria noivar, marcar a data do casamento pra mais ou menos um ano após a minha volta e então iriamos finalmente juntar as gatas e dividir o mesmo teto. E foi mais ou menos isso o que aconteceu. A gente conversou e decidimos nos casar após ele se formar, em Agosto de 2015.

A questão foi que todo esse tempo junto logo após todo aquele tempo separado fez uma ficha cair aqui. O que esperar? O tempo passar? Basicamente era isso o que esperaríamos. Quando a gente para pra pensar, sempre existe um “talvez em outra oportunidade seja melhor”, “talvez quando tal coisa acontecer será melhor”… enfim. A vida sempre vai ter atribulações, a gente sempre vai ter pouco tempo, vai querer ter mais dinheiro. A gente passaria por apertos e ‘aventuras’ com ele na faculdade ou não e foi por isso é que a gente mudou os planos super rápido de novo.

Resolvemos antecipar para este ano e em abril começamos a nos programar. Em maio vim à Brasília para darmos entrada no processo de habilitação para casamento e no final de Julho ele, a família e alguns amigos dele foram para São Paulo pro nosso casamento pequeno e aconchegante.

A gente programou e organizou tudo em cerca de 3 meses e mesmo assim eu não vejo como poderia ter saído melhor. Talvez sim, com um ano e meio de janela para organizar tudo tivesse sido tão bom quanto. Mas pra mim do jeito que foi, foi perfeito. Teve chá de lingerie, teve chá de cozinha, teve a cerimônia que eu sempre quis! Só rostos de pessoas muito queridas num almoço com comida muito boa <3.

Agora estou aqui, em Brasília. Essa é a novidade! Um mês de casada, com o Augusto pertinho o tempo todo, com as gatas dormindo nos nossos pés e uma vida nova inteira pela frente. :)

Ice skating na Museumplein

Aparentemente eu contei pra vocês já sobre Spakenburg e tbm sobre o Hoge Veluwe… um dos meus últimos “passeios” foi ir patinar na famigerada pista de gelo que é montada no espelho d’água que tem em frente ao Rijskmuseum na Museumplein.

Chegou dezembro e as fotos das outras au pairs se arriscando no gelo começaram a pipocar… e eu preciso fazer um parentese aqui: quando estive em Amsterdam em 2009, antes de visitar o Van Gogh Museum eu vi a pista de patinação (bem mais humilde na época e também estava vazia porque era 9 da manhã num dia útil.) e quis muuuuuuito me aventurar, mas fui aconselhada pela Fer a adiar o contato com o gelo/neve pesada para Salzburg. Achei uma boa sugestão e acabei não patinando naquela vez… ou seja, agora eu estava muito, mas muito empolgada pela possibilidade.

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Falei com a Vitória e combinamos que num domingo de dezembro iriamos patinar. Pegamos um trem na hora do almoço e quando chegamos estávamos famintas… não tenho certeza se foi nesse dia que fomos numa hamburgueria delícia chamada Burger Bar ali na Kolksteeg… e bom, se não foi, de qualquer jeito fica a dica! O lugar é minúsculo, mas os sanduíches tem um tamanho de respeito e são saborosos! Se não comemos ali nesse dia, foi em outro… talvez nesse dia a gente tenha ido no Sabor de Maria? Gente, já não me lembro! Ambas opções são ótimas e baratas… e no Sabor de Maria ainda tem a vantagem de ser comida brasileira com gostinho de caseira maravilhosa e também tem vários quitutes incríveis (alô coxiiiinha)!

Mas não, péra, eu acho que comemos o hamburguer mesmo, passamos, olhamos umas lojas e então rumamos para a Museumplein. Vale lembrar que o dia que escolhemos ir foi um domingo e mesmo assim, o lugar estava LOTADO, mesmo que tenhamos chegado já no final do dia. E o pior, o lugar estava lotado de adolescentes kamikazis que não estavam preocupados com a segurança dos demais patinadores e sim em praticar algo que chamei de boliche humano. Eu sei, eu sei… foi um infortúnio meu mesmo… as outras meninas não vivenciaram tal experiência tão estressante quanto foi pra mim e a Vitória não pareceu se incomodar tanto quanto eu também. No final, tinhamos pagado por 2 horas de utilização da pista e acabamos ficando apenas cerca de 40 minutos. Não me entendam mal, eu achei divertido, mas é um pouco complicado pegar o jeito da coisa e eu achei mais difícil ainda ao tentar desviar de adolescentes errantes em altas velocidades.

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toda torta

Outro detalhe é que além de lotado o lugar, não havia lotação máxima e também não havia nenhum fiscal vendo se já tinham ou não acabado as duas horas das pessoas na pista, pra completar, não tinha guarda-volumes, então você acabava entrando no ring de patinação com sua bolsa, ou a deixava escondidinha junto com seu sapato debaixo de algum banco e tal. É claro, os holandeses achavam seguro, mas eu sempre tenho aquela paranoia de não confiar nem em mim mesma hahahahaha. Deixei a bota lá, não lembro se deixei a bolsa, mas mesmo a bota fiquei preocupada de largar sozinha, tava achando que ia voltar descalça pra casa.

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quantos likes essas gatinhas merecem?

Saindo de lá, com as botas calçadas, resolvemos tomar um chocolate quente ali na Museumplein, tem um café/restaurante bem do lado da lojinha dos museus… a mesma onde comprei minha coleção de amigos pintores-bonecos de dedo em 2009 <3. Lá experienciamos outra maravilhoso atendimento holandês, onde o cliente não é prioridade. A Isa nos encontrou lá e depois de sermos mal atendidas pra tomar aquele chocomel horroroso que é o chocomel, fomos para a Leidsplein onde também tinha uma pista de patinação, infinitamente mais vazia e organizada, e menor também é verdade. Aproveitamos para comermos várias Oliebollen deliciosas e outras coisinhas gordas e gostosas numas barraquinhas do “mercado de natal de Amsterdã”. A gente comeu muito esse dia, foi ótimo hahahaha.

Pronto, esse foi o dia que patinamos em Amsterdã.

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Sobre o fim.

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Sim, faz muito tempo que não atualizo e vou tentar explicar direitinho o porquê. Esse canto é cheio de buracos e me dou esse direito porque o aceite esta manga é acima de tudo e ainda, um blog pessoal. Quando quero e consigo: escrevo.

A verdade é que eu voltei da Holanda em Janeiro e sim, quem sabia o que eu tava fazendo ali sabia exatamente que eu deveria ter ficado um ano, mas depois do começo conturbado que tive por lá eu decidi que ficaria enquanto fosse incrível. Problemas, dificuldades, todas au pairs passam, mas eu acho que a intensidade, a maneira como eles se apresentam e também a maneira como a enfrentamos varia de família pra família e de au pair para au pair. Eu gosto de conversar sobre os problemas, mantenho o bem humor e sempre – enquanto estive lá – tentei fazer o trabalho de equipe, seguir as ordens do capitão, mas demonstrando proatividade.

A questão é que a minha host mom era ausente, trabalhava infinitamente mais que o host dad durante a semana e apesar de tivermos tido diversas conversas sobre como as coisas deveriam acontecer, eu nunca fui realmente guiada, eu nunca recebi um “faça assim, não faça assim”, apenas recebia feedbacks (e que eu adorava, já que era a única coisa que conseguia ter deles) “você fez isso e não foi bom” e raríssimos “você fez isso, funcionou, repita”. Meu host dad era um pai super carinhoso, presente e consciente: ele via o que acontecia com as crianças no sentido emocional e encarava o problema de maneira objetiva. Minha host mom era super carinhosa, mas não tão presente nem consciente. Ela tinha uma visão bem firme de como ela queria criar os filhos, mas não estava lá para aplicar o método. E inúmeras vezes tirava o poder e desmoralizava os feitos e escolhas do pai na frente das crianças. Imagina como era comigo?

Depois dos primeiros meses eu me acostumei com o jeito dela, mas achava muito injusto e todas as conversas que tínhamos não chegavam à lugar nenhum… dúvidas que eu tinha e perguntava a opinião dela eram recebidas como sinal de fraqueza, coisas que eu resolvia por mim, nunca pareciam agradar… enfim.

Mas o pior mesmo foi o fato de eu descobrir que ela falava mal de mim na frente dos filhos. O meu relacionamento com ambos era muito bom de início, com alguns problemas pontuais (que eu não podia abordar da maneira que eu abordaria, porque, por exemplo, eu não podia colocá-los de castigo). O menino era o que me dava mais trabalho: ele não gostava de se trocar para ir pra escola e eu era a responsável por essa função. As saídas que encontrei e que davam certo não foram bem aceitas pela mãe, mas a realidade é que não importava como eu fizesse, ou como o host dad fizesse… o menino queria que a mãe o ajudasse. Ponto, quando depois de muita gritaria da parte do menino, ela finalmente atendia, ele estava pronto em menos de 3 minutos. Ele também encarava a relação com a irmã de forma competitiva, queria sempre ganhar, sempre ter mais atenção e no momento da janta, quando estávamos sozinhos, ele aproveitava para fazer um show. Depois de muito tempo eu consegui contornar a situação, mas ainda não era o idealizado pela mãe. Depois de um tempo o menino começou a me perguntar se eu queria ir embora em janeiro. Começou a me dizer que já sabia quem seria a próxima au pair que ficaria no meu lugar e afins. Eram coisas que ele ouvia da mãe.

Como eu estava decidida que ficaria enquanto fosse incrível e maravilhoso e como eu não queria enfrentar mais dramas, no final de dezembro conversamos e ficou decidido que após minhas férias de fim de ano, nosso contrato estava terminado. Eu poderia ter escolhido e brigado pelo rematch, mas pra ser sincera, vejam vocês: eu estou no Brasil há 3 meses e até agora não recebi um email da agência. No dia da nossa conversa eu até liguei pra lá, mas como sempre, ninguém atendeu. A verdade é que depois de um tempo, a cada vez que a minha host mom me dava uma resposta torta e completamente gratuita, eu sentia que eu estava perdendo meu tempo lá.

Eu sei, eu sei, ser au pair é uma experiência única. Eu entendi diversas coisas sobre mim e sobre meu relacionamento com o mundo, com outras pessoas. Morar na Holanda é outra experiência única. Eu amava minha bicicleta com todo o meu coração, eu morria de prazer ao pedalar aquela Baarn inteirinha. Eu me sentia viva quando descia pedalando rápido pra estação e o vento gelado cortava meu rosto e eu então saltava e travava minha bicicleta e corria pra pegar o trem. O trem que me levava pra um dos lugares que mais amo no mundo. Planejar viagens me mostrou que sim, não há prazeres igual sair por aí com sua mochila e conhecer o mundo, ao seu tempo, à sua maneira, qualquer lugar – perto ou longe – é só apontar o dedo, conferir o orçamento e ir! Não me entendam mal, tudo o que eu vivi lá foi lindo e foi intenso e foi maravilhoso. É uma experiência que eu nunca vou deixar de recomendar… quem quiser, quem puder: vá! Vai que você vai se sentir vivo.

Acontece que quando eu fui, eu já tinha esperado muito, mas muito tempo mesmo pra ir. Eu comecei projetos porque não podia ficar parada enquanto esperava e tive que interrompê-los. Eu adiei planos que são primordiais pra minha felicidade pra ter essa experiência. Eu coloquei no fundo da mente coisas que sempre quis fazer para priorizar a experiência de ir para a Holanda. Quando eu percebi que eu tinha deixado tudo isso parado no Brasil para realizar um sonho… e quando a gente percebe que sonhos transformados em realidade são isso mesmo: realidade, e a realidade vem acompanhada de tudo o que é real, inclusive dor, decepção e dúvida… Pesei tudo e vi que o sonho por mais maravilhoso que fosse, não estava compensando o que eu deixei aqui. E quando chegou a hora de decidir: tentar o rematch ou voltar, eu escolhi voltar. Eu escolhi tirar do “pause” tudo o que mais me importa.

A gente tem que fazer escolhas baseadas no que nos deixarão feliz à longo prazo. Eu fui muito feliz, apesar dos trancos e barrancos, nos meus 5 meses na Holanda. Eu fiz amizades que se tornaram importantíssimas enquanto estava lá e que se mostram duradouras, mas os 5 meses foram o suficiente pra mim. Meu intercâmbio tinha data de validade desde o começo, eu só escolhi que ele acabasse antes, porque o que me faz feliz pra vida toda estava aqui e não lá. Nunca esteve lá e disso eu sempre soube.

 

3 meses de Holanda!

Oi!

Aposto que vocês já não aguentam… “ai que chato, lá vem ela com mais um post nos contanto há quanto tempo ela está lá na tal da Holanda”… e pois é gente, é isso mesmo!

Hoje faz 3 meses que desembarque aqui nas terras baixas da Holanda. São 3 meses pedalando (o que me faz achar que estou sempre muito lenta quando preciso caminhar), 3 meses passeando de trem pra lá e pra cá apreciando vaquinhas e ovelhinhas e cavalinhos na paisagem campestre. Basicamente é isso.

Sim, pra ser superficial é isso, mas ao mesmo tempo é tanta coisa mais! Meu deus do céu, eu não consigo transportar todas as ideias pra cá. Eu fiz tanto nesses três meses do que tanto desejei e planejei nos últimos tempos que não me caibo de felicidade. A sensação de ter ultrapassado a fase de adaptação também é deliciosa.

No que diz respeito às viagens, bom, eu conheci diversas cidades aqui na Holanda já e ainda tenho muitas outras para visitar, já fiz a minha primeira viagem internacional e pude visitar 3 cidades que sempre me deixaram curiosa. No que diz respeito à alimentação eu tenho conseguido manter um belo equilíbrio gastronômico (e prometo fazer um post só sobre isso) e tenho conseguido manter o foco na ideia principal que rege minha vida não importa onde: continuar emagrecendo. Sim, ao contrário do que é temido, eu tenho conseguido perder peso e também, com a ajuda da bicicleta eu tenho conseguido me exercitar – de graça – de uma maneira bem mais prazerosa do que eu conhecia no Brasil.

No que diz respeito à host family, eu só posso dizer que sim: eu estou bastante feliz com o meu match e agora que o fantasma da fase de adaptação finalmente saiu da casa, eu me sinto muito confortável na companhia deles, gosto muito do espaço que eles me dão, além das oportunidades. O início foi BEM difícil, mas agora que as coisas encontraram o ritmo eu posso dizer que eu não tenho do que reclamar… apesar de que claro, às vezes alguma coisa acontece e a gente precisa desabafar, mas nada é ruim que não seja superado e esquecido em 5 minutos.

Ser au pair é, dentre muitas coisas, um eterno exercício de paciência e auto-controle. Eu já falei sobre isso e apesar de os motivos serem outros, esse exercício já começa quando iniciamos o processo e continua, provavelmente, até o fim do programa. Mas cada coisinha que acontece, cada contratempo, cada birra das kids, elas só somam. Só nos deixam mais fortes e nos fazem perceber que ao lidar com humanos a gente tem sim certa responsabilidade, mas precisamos entender que o resultado final da relação não depende só de nós… enfim, ser au pair também nos ajuda a perceber melhor a medida das coisas.

Sobre os 3 meses… eu não posso acreditar! Quando cheguei aqui, a Isabella, uma linda que mora em Amsterdam <3, estava me falando sobre a crise dos 6 meses que ela estava sofrendo, por estar exatamente no meio do programa. Ela disse que era um misto de realização por tudo o que fez no seu primeiro semestre aqui com a sensação de que os próximos 6 meses não seriam o suficiente para fazer tudo, além da antecipação do fim, que seria algo muito ruim. Enfim, passado o primeiro semestre ela já sabia que ela não quer ir embora. Eu estou sentindo algo parecido. Eu sinto que já fiz muito, estou muito feliz, mas ao mesmo tempo estou com medo e me prometendo fazer um melhor planejamento pro meu tempo aqui em 2014: eu quero fazer tanta coisa que tô com medo de que se eu não me programar, eu não vou conseguir realizar. Eu não posso acreditar que eu só tenho mais 9 meses aqui!